O uso disseminado de dispositivos móveis por adolescentes e jovens adultos tem gerado preocupações crescentes na comunidade científica quanto às suas implicações no bem-estar psicológico e físico. A literatura correlaciona o uso excessivo do smartphone a diversos quadros psiquiátricos comórbidos, destacando-se transtornos depressivos, de ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e transtorno por uso de álcool. No âmbito comportamental e socioemocional, observam-se prejuízos na regulação cognitivo-emocional, controle impulsivo e autoimagem, com frequente associação entre o uso problemático de redes sociais, timidez, baixa autoestima e o fenômeno de Fear of Missing Out (FOMO).
Do ponto de vista neurológico, déficits nos mecanismos de controle inibitório são evidenciados por alterações em potenciais evocados (como a redução do componente N2 em tarefas Go/NoGo) e redução da atividade do córtex pré-frontal e do córtex cingulado anterior (ACC). Estudos de imagem por ressonância magnética estrutural e funcional (fMRI) demonstram redução no volume de substância cinzenta (Gray Matter Volume – GMV) no córtex orbitofrontal lateral direito e no ACC, assim como alterações na conectividade funcional de repouso envolvendo a ínsula e a amígdala. Tais modificações neurobiológicas assemelham-se, em parte, aos substratos observados em transtornos por uso de substâncias e no transtorno do jogo.
Ademais, os impactos somáticos manifestam-se por meio de distúrbios do sono (como insônia, redução do tempo total e piora na qualidade do sono), comprometimento do condicionamento físico, hábitos alimentares desregulados, queixas oftálmicas (incluindo esotropia concomitante adquirida aguda e sintomas oculares) e disfunções musculoesqueléticas, como degeneração do disco cervical em pacientes com dor crônica no pescoço e aumento da área de secção transversal do nervo mediano na mão dominante. Esses achados reforçam a urgência do reconhecimento do uso excessivo de telas como uma condição com sérias ramificações fisiológicas e cognitivas na população jovem.
Referência (ABNT):
WACKS, Yehuda; WEINSTEIN, Aviv M. Excessive Smartphone Use Is Associated With Health Problems in Adolescents and Young Adults. Frontiers in Psychiatry, v. 12, art. 669042, p. 1-7, 28 maio 2021. DOI: 10.3389/fpsyt.2021.669042.

