A transição para o ambiente universitário constitui uma fase crítica no ciclo de vida de jovens adultos, frequentemente associada ao aumento da autonomia individual, a mudanças na rotina diária e à reestruturação de hábitos comportamentais. Durante esse período de adaptação, observa-se uma vulnerabilidade acrescida à adoção de padrões nutricionais inadequados, com destaque para a ingestão elevada de refeições de fast food. Essas refeições caracterizam-se pelo predomínio de alimentos ultraprocessados, caracterizados por alta densidade energética, elevada concentração de gorduras saturadas, açúcares simples e sódio, além de reduzido aporte de micronutrientes e fibras. A exposição contínua a este padrão dietético associa-se ao ganho ponderal indesejado e ao aumento do risco de desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como a obesidade, a diabetes tipo 2 e patologias cardiovasculares.
Um estudo transversal realizado por Oliveira e Raposo (2024) com uma amostra de 237 estudantes do ensino superior em Portugal revelou dados expressivos sobre esse comportamento. Cerca de 80% dos participantes relataram o hábito regular de consumir fast food, sendo que quase 40% consumiam esse tipo de refeição com uma frequência superior a uma ou duas vezes por semana. A opção predominante entre os estudantes consultados foi o hambúrguer, escolhido por 78,0% dos voluntários, com um gasto médio estimado em 8,6 euros por refeição. No tocante ao perfil antropométrico, 21,4% da amostra apresentava excesso de peso (pré-obesidade ou obesidade).
Os determinantes centrais que influenciam a tomada de decisão em relação à escolha de fast food concentram-se na facilidade ou conveniência de preparação (59,9%), no preço do alimento (48,5%) e no sabor ou palatabilidade (28,3%). Fatores como restrições de tempo, carga horária de estudos e o cansaço cotidiano parecem favorecer a busca por opções alimentares rápidas e de baixo esforço. O estudo também identificou variações significativas em relação ao sexo: os estudantes do sexo masculino apresentaram valores mais elevados de índice de massa corporal, maior prevalência de excesso de peso, e uma frequência e adesão ao consumo de fast food superiores às observadas no sexo feminino. Enquanto o público masculino reportou com maior frequência o desejo ou apetência voluntária como fator decisivo de escolha, as estudantes do sexo feminino demonstraram maior preocupação com o controlo de peso e a qualidade nutricional.
A análise estatística demonstrou uma correlação positiva entre o índice de massa corporal e a idade dos participantes, assim como entre o índice de massa corporal e o valor financeiro despendido por refeição de fast food. Adicionalmente, fatores de contexto social, como o convívio com amigos ou familiares, apresentaram maior impacto na decisão alimentar de estudantes matriculados em instituições de ensino privado em comparação aos de instituições públicas. Por outro lado, os acadêmicos que relataram não consumir fast food habitualmente atribuíram maior relevância à intenção de manter uma alimentação saudável e ao controlo ponderal. Estes achados sublinham a necessidade de estratégias educativas e de políticas de nutrição comunitária no meio acadêmico — como o incentivo ao uso de cantinas universitárias sociais e a disponibilização clara de informações nutricionais nos menus — para promover escolhas conscientes e mitigar riscos à saúde a longo prazo.
OLIVEIRA, Leandro; RAPOSO, António. Factors That Most Influence the Choice for Fast Food in a Sample of Higher Education Students in Portugal. Nutrients, v. 16, n. 7, p. 1007, 2024. DOI: 10.3390/nu16071007.

