A compreensão dos determinantes que regem a trajetória acadêmica no ensino superior constitui uma questão central para as ciências da educação e a psicologia cognitiva. Em um cenário educacional em constante transformação — marcado pela expansão do acesso, mudanças demográficas e heterogeneidade do corpo discente —, a identificação dos preditores de desempenho e de graduação torna-se imprescindível para mitigar taxas de evasão e subsidiar políticas educacionais assertivas.
Investigações estruturadas com base em modelagem por equações estruturais (Structural Equation Modeling – SEM) evidenciam que o sucesso acadêmico é um construto multidimensional. Quando analisados isoladamente, os domínios preditores apresentam capacidades explicativas distintas:
- Conhecimento do Domínio Específico e Desempenho Prévio: As habilidades consolidadas durante a educação secundária, especialmente em matemática e compreensão leitora, juntamente com a pontuação de ingresso (entry score), explicam 13,1% da variância do sucesso acadêmico. O desempenho no primeiro semestre apresenta associação positiva com o conhecimento prévio, porém, não garante isoladamente a conclusão do curso em longo prazo.
- Fatores Não Cognitivos (Estratégias, Motivação e Atitudes): Este conjunto de variáveis autorregulatórias explica 16,8% da variância do sucesso acadêmico. A motivação para a aprendizagem (orientada para o domínio e para a realização) surge como o preditor individual mais expressivo, enquanto as estratégias de aprendizagem (como planejamento, memorização, elaboração e gestão do tempo) mantêm-se como o fator mediador mais estável.
- Habilidades Transversais do Século XXI: As habilidades cognitivas gerais não vinculadas a conteúdos específicos, tais como o raciocínio indutivo e a resolução de problemas complexos, explicam apenas 2,9% da variância. A capacidade de resolução de problemas demonstrou inclusive um coeficiente de trajetória negativo em relação à conclusão do curso, indicando que a estrutura curricular tradicional muitas vezes não recompensa diretamente o perfil voltado à resolução de problemas dinâmicos não estruturados.
No modelo estrutural abrangente e controlado pelo nível socioeconômico (SES) dos estudantes, a variância total explicada do sucesso acadêmico atinge 18,4%. O conhecimento do domínio prévio e a motivação para a aprendizagem consolidam-se como os principais preditores positivos, acompanhados pelas estratégias de aprendizagem. O status socioeconômico familiar não demonstrou efeito direto significativo no nível universitário, o que indica a equalização das disparidades de origem no contexto do ensino superior.
Estes achados comprovam que o sucesso no ensino superior depende substancialmente da consolidação de saberes disciplinares básicos e da maturidade não cognitiva do estudante no gerenciamento da própria aprendizagem. Projetos de intervenção pedagógica voltados ao fortalecimento de estratégias autorregulatórias e ao suporte motivacional mostram-se, portanto, caminhos assertivos para a promoção da permanência e do êxito acadêmico.
Referência (Norma ABNT)
MOLNÁR, Gyöngyvér; KOCSIS, Ádám. Cognitive and non-cognitive predictors of academic success in higher education: a large-scale longitudinal study. Studies in Higher Education, v. 49, n. 9, p. 1610-1624, 2024. DOI: 10.1080/03075079.2023.2271513.

