Home OpiniãoImpacto Fisiopatológico e Nutricional do Consumo de Confeitaria na Saúde Metabolicocardiológica

Impacto Fisiopatológico e Nutricional do Consumo de Confeitaria na Saúde Metabolicocardiológica

by Redação CPAH

A densidade de nutrientes da dieta representa um pilar fundamental no equilíbrio metabólico e na prevenção de doenças crônicas não transmissemíveis. No contexto dos hábitos alimentares observados nos países nórdicos e bálticos, alimentos ricos em açúcares adicionados — tais como confeitos, chocolates, produtos de panificação doce e sorvetes — desempenham um papel proeminente, sendo responsáveis por até metade do total de açúcares adicionados ingeridos por diversos grupos populacionais. O perfil nutricional dessa classe de alimentos é marcado por uma alta densidade energética combinada a reduzidos teores de micronutrientes essenciais, proteínas e fibras alimentares, o que acarreta o fenômeno de diluição nutricional (micronutrient dilution). Esse desequilíbrio reduz o espaço dietético destinado a matrizes alimentares protetoras e favorece o ganho ponderal, além de estar associado a um aumento do risco de cárie dentária.

Sob a ótica fisiopatológica cardiometabólica, o consumo exacerbado de carboidratos refinados oriundos de matrizes sólidas desencadeia alterações significativas nos parâmetros séricos. Dados sintetizados pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) demonstram que a ingestão elevada de açúcares adicionados por meio de alimentos sólidos provoca efeitos estatisticamente significativos no aumento da glicemia em jejum, do colesterol total, dos triglicerídeos séricos em jejum e do ácido úrico, além de impactar os níveis de HDL-colesterol. Embora alimentos sólidos de confeitaria possam apresentar uma capacidade sacietógena ligeiramente superior em comparação às bebidas adoçadas com açúcar, a sobrecarga calórica e a resposta glicêmica subsequente permanecem como fatores preponderantes para a desregulação metabólica.

No que tange ao chocolate e aos produtos derivados do cacau, atribui-se comumente um potencial efeito cardioprotetor devido à presença de compostos polifenólicos bioativos, especificamente flavonoides como epicatefina, catecina e procianidinas. Ensaio e revisões sistemáticas apontam associações entre o consumo de produtos ricos em flavanóis e melhorias pontuais na dilatação mediada por fluxo, modulação da pressão arterial e redução de marcadores de resistência à insulina. No entanto, a qualidade global das evidências científicas disponíveis é classificada como baixa a muito baixa, registrando-se viés de publicação e heterogeneidade metodológica. Adicionalmente, os protocolos experimentais frequentemente empregam extratos de cacau ou chocolates amargos enriquecidos com concentrações de polifenóis substancialmente mais elevadas do que as encontradas nos chocolates ao leite comerciais. Nestes últimos, a densidade energética, a gordura saturada e os açúcares livres superam ostensivamente eventuais benefícios atribuídos aos flavonoides.

Diante da fragilidade dos dados que sustentem potenciais benefícios à saúde e do risco comprovado de disfunções metabólicas, a conduta nutricional fundamentada em evidências estabelece que a ingestão de açúcares adicionados deve ser mantida no menor nível possível dentro de um Padrão Alimentar Adequado.

Referência

VEPSÄLÄINEN, Henna; SONESTEDT, Emily. Sweets and other sugary foods – a scoping review for Nordic Nutrition Recommendations 2023. Food & Nutrition Research, v. 68, n. 10488, p. 1-8, 2024. DOI: http://dx.doi.org/10.29219/fnr.v68.10488.

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