A cafeicultura contemporânea enfrenta severos desafios bióticos que ameaçam a sustentabilidade econômica e a segurança alimentar em escala global, destacando-se a ferrugem-do-cafeeiro, enfermidade fúngica ocasionada pelo basidiodomiceto biotrófico Hemileia vastatrix Berkeley & Broome. Este fitopatógeno ataca predominantemente o parênquima foliar, induzindo clorose severa, desfolha precoce e, consequentemente, o declínio drástico da capacidade fotossintética e da produtividade das lavouras. Embora o controle químico convencional fundamentado em fungicidas sintéticos apresente respostas imediatas, seu uso continuado acarreta impactos deletérios aos ecossistemas, riscos de indução de resistência no patógeno e contaminação de mananciais e do solo. Diante disso, investigações científicas direcionadas ao desenvolvimento de insumos biotecnológicos de matriz orgânica, como o biofertilizante Biocafécashi — composto formulado a partir da fermentação estabilizada de resíduos orgânicos locais, cinzas e minerais —, emergem como alternativas viáveis para a indução de resistência e regulação fitossanitária em agroecossistemas.
A validação da eficácia biológica de insumos agroecológicos demanda avaliações de campo rigorosas sob delineamentos estatísticos consolidados. Em ensaio experimental conduzido na fazenda El Cedro, na comunidade de Emiliano Zapata, localizada no município de Montecristo de Guerrero, estado de Chiapas, México, avaliou-se o impacto da aplicação foliar de diferentes dosagens do biofertilizante Biocafécashi (1,25 L, 2,5 L, 3,75 L e 5,0 L por planta, confrontados com um grupo controle de 0 L) em cafeeiros da variedade nativa (“Criollo”). Os resultados revelaram uma correlação inversamente proporcional e estatisticamente significativa entre o incremento da dose administrada e o percentual de infestação por Hemileia vastatrix. A aplicação da dose máxima de 5,0 L demonstrou o maior índice de supressão da doença, reduzindo substancialmente a incidência de pústulas urediniospóricas na superfície foliar inferior e mitigando o estresse fisiológico da planta, o que confirma o potencial desse biofertilizante como agente regulador do avanço epidemiológico da ferrugem.
Para além do controle estrito do fitopatógeno, a incorporação biotecnológica do Biocafécashi manifestou reflexos agronômicos diretos nas variáveis de rendimento quantitativo e qualitativo pós-colheita. O aporte nutricional e a provável estimulação de metabólitos secundários de defesa vegetal refletiram-se positivamente na arquitetura física e no valor de mercado do grão. Verificou-se que as plantas submetidas aos tratamentos com maiores concentrações do biofertilizante apresentaram ganho de biomassa expresso no peso médio do café pergaminho seco, além de uma otimização no rendimento de conversão em café verde e na classificação granulométrica, com maior retenção de grãos em peneiras de maior calibre. Esses achados consolidam a premissa de que o manejo baseado em biofertilizantes não apenas atua na supressão de estresses bióticos, mas atua como um otimizador do metabolismo vegetal, promovendo uma produção cafeeira resiliente, de alta qualidade e alinhada às exigências socioambientais do mercado consumidor internacional.
Referência (Formato ABNT):
GUTIÉRREZ-MARTÍNEZ, Antonio; GUTIÉRREZ UTRILLA, Jesús Antonio. Control of coffee rust (Hemileia vastatrix Berk & Broome) using the biofertilizer Biocafécashi, Montecristo de Guerrero, Chiapas. Open Minds Internacional Journal, v. 1, n. 5, art. 2, p. 1-26, dez. 2025. ISSN 2675-5157.

