Por Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues
Na Síndrome de Ehlers-Danlos (SED), a alteração do tecido conjuntivo, especialmente do colágeno, compromete a estabilidade articular e a integridade de diversos sistemas corporais. Como consequência, o organismo necessita de maior ativação muscular e mecanismos compensatórios para manter o alinhamento postural e a funcionalidade das articulações. Esse esforço adicional pode aumentar o custo energético global, afetando tanto o sistema musculoesquelético quanto processos centrais, como a atenção e a regulação autonômica.
A energia utilizada pelo corpo é distribuída entre múltiplas funções, incluindo atividade cerebral, movimento e manutenção da homeostase. Assim, um aumento crônico na demanda energética pode estar associado a maior sensação de fadiga, tanto física quanto cognitiva, frequentemente relatada por indivíduos com SED. Esse quadro pode contribuir para maior necessidade de repouso ou sono, embora a qualidade do sono nem sempre seja adequada.
Outro aspecto frequentemente observado é a variabilidade nas posições adotadas durante o sono. Indivíduos com hipermobilidade articular podem assumir posturas incomuns ou assimétricas, possivelmente como estratégia inconsciente para reduzir desconforto, aliviar tensão em determinadas estruturas ou aumentar a estabilidade durante o repouso. Essas posições não representam um “reajuste” estrutural propriamente dito, mas sim adaptações funcionais às características biomecânicas do corpo.

