Home ColunaNeurociênciasEstudo em Moçambique mostra que inteligência artificial pode melhorar o clima organizacional e motivar funcionários públicos

Estudo em Moçambique mostra que inteligência artificial pode melhorar o clima organizacional e motivar funcionários públicos

Uma pesquisa realizada na FIPAG, empresa pública moçambicana responsável pelo abastecimento de água, mostra que a ferramenta também está mudando a rotina de instituições do setor público em países africanos, com efeitos concretos sobre a motivação dos trabalhadores.

by Redação CPAH
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A adoção de inteligência artificial na gestão de pessoas deixou de ser tema restrito a grandes multinacionais de tecnologia. Uma pesquisa realizada na FIPAG, empresa pública moçambicana responsável pelo abastecimento de água, mostra que a ferramenta também está mudando a rotina de instituições do setor público em países africanos, com efeitos concretos sobre a motivação dos trabalhadores.

O estudo é assinado por Agira Guilherme, mestranda em Gestão de Recursos Humanos pela Universidade Católica de Moçambique, e por Albertina Celeste Inácio Ribáuè, doutora vinculada à mesma instituição, através da Faculdade de Economia e Contabilidade, em Nampula. A publicação integra a revista Qualis A Open Minds, propriedade do CPAH, o Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, sob gestão técnica da Editora Atena.

Uma empresa marcada pela centralização que decidiu digitalizar a gestão

Segundo as autoras, a FIPAG enfrentava historicamente limitações associadas a modelos de gestão centralizados, o que dificultava respostas rápidas às necessidades internas da organização. A partir de 2025, a empresa passou a integrar soluções tecnológicas baseadas em inteligência artificial, com o objetivo declarado de melhorar a gestão interna e a motivação dos funcionários.

A pergunta central da pesquisa foi direta: de que forma a aplicação da inteligência artificial influencia o clima organizacional e a motivação dos funcionários dentro da empresa.

Seis entrevistas para entender o dia a dia por trás dos algoritmos

A metodologia adotada foi qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, estruturada como um estudo de caso. As pesquisadoras realizaram entrevistas semiestruturadas com seis funcionários selecionados por amostragem intencional, e os depoimentos foram examinados por meio de análise de conteúdo.

Entre os cuidados éticos do trabalho estiveram:

  • Garantia de anonimato dos participantes.
  • Confidencialidade das informações coletadas.
  • Consentimento informado de todos os entrevistados.

O que a inteligência artificial já está mudando dentro da empresa

Os resultados indicam que a FIPAG passou a utilizar plataformas de gestão integrada e ferramentas digitais capazes de automatizar processos administrativos, centralizar dados e apoiar decisões internas. Segundo os funcionários ouvidos, essas tecnologias contribuíram de forma significativa para melhorar processos de recrutamento, seleção, avaliação de desempenho e desenvolvimento de competências.

Um dos achados mais relevantes, segundo as autoras, é o efeito sobre a motivação intrínseca dos trabalhadores. Ao reduzir tarefas repetitivas, a inteligência artificial libera tempo para que os funcionários se dediquem a atividades mais estratégicas e criativas, o que reforça o engajamento e a percepção de valorização profissional.

O estudo também aponta que a tecnologia favorece o aprendizado contínuo, ao personalizar experiências de capacitação de acordo com as necessidades individuais de cada funcionário, além de melhorar a comunicação organizacional como um todo.

Nem tudo são vantagens

A pesquisa não deixa de lado os riscos. Entre os desafios relatados pelos próprios funcionários estão:

  • Preocupações com a privacidade e a segurança dos dados pessoais.
  • Resistência à mudança por parte de alguns colaboradores.
  • Medo de substituição do trabalho humano pela automação.
  • Risco de discriminação algorítmica em processos de seleção.

As autoras alertam que o uso excessivo da inteligência artificial pode comprometer a autonomia humana nos processos decisórios, à medida que a tecnologia assume funções estratégicas antes exercidas por pessoas. Por isso, defendem que a ferramenta seja tratada como um complemento ao trabalho humano, e não como um substituto.

Conclusão: tecnologia sim, mas com política clara e ética

A conclusão do estudo é que a aplicação da inteligência artificial representa um avanço relevante na gestão de pessoas, mas seu uso precisa vir acompanhado de políticas organizacionais claras e éticas, capazes de garantir transparência e equilíbrio entre tecnologia e fator humano.

As pesquisadoras recomendam ainda que investigações futuras ampliem o número de participantes e utilizem abordagens quantitativas ou mistas, de modo a aprofundar a compreensão sobre os impactos da inteligência artificial em contextos organizacionais semelhantes.

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