Home CiênciaBactéria classificada como cancerígena pela OMS é apontada como principal fator de risco para o câncer gástrico

Bactéria classificada como cancerígena pela OMS é apontada como principal fator de risco para o câncer gástrico

A conclusão está em um novo estudo publicado pela revista Qualis A Open Minds

by Redação CPAH
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Uma revisão científica reforça um alerta que a comunidade médica já vem repetindo há anos: a infecção pela bactéria Helicobacter pylori continua sendo o principal fator de risco conhecido para o desenvolvimento do câncer gástrico. A conclusão está em um novo estudo publicado pela revista Qualis A Open Minds, propriedade do CPAH, o Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, sob gestão técnica da Editora Atena.

O trabalho reúne uma equipe de doze pesquisadores, entre eles Bruna Correia SarnoHelena Gabriela Nascimento dos SantosKarine Viana Andrade CunhaLeonardo Lima Porto AraújoJoão Victor Andrade Barreto Ferreira e Lucas Ferreira Lobo, além de Ádila Fernanda Pereira MartinsLuana de Bulhões Santos PiscettaLuís Filipe de Jesus TelesAnita Sousa Ferreira NogueiraSávio Eduardo Ferreira Braga e Ana Clara Santiago de Lima Rosa.

Uma bactéria comum, mas nem sempre inofensiva

A Helicobacter pylori é classificada pela Organização Mundial da Saúde como carcinógeno do grupo 1, categoria reservada a agentes com comprovada capacidade de causar câncer em humanos. Segundo os autores, grande parte da população mundial é colonizada pela bactéria ainda na infância, geralmente sem apresentar sintomas relevantes.

O ponto central do estudo é que apenas uma parcela dessas pessoas chega a desenvolver câncer ao longo da vida. Essa diferença, segundo a pesquisa, depende da combinação entre fatores genéticos, ambientais e comportamentais de cada indivíduo, e não da simples presença da bactéria no organismo.

Como a infecção pode evoluir para câncer

O objetivo da revisão foi compreender de que forma a Helicobacter pylori participa do processo de formação do câncer gástrico, também chamado de carcinogênese gástrica. Para isso, os pesquisadores fizeram um levantamento narrativo da literatura científica, com buscas em bases de dados reconhecidas:

● SciELO

● PubMed

● Google Scholar

● Bases de dados institucionais

Foram considerados artigos publicados entre 2019 e 2024.

Os resultados indicam que a bactéria desencadeia um processo de inflamação crônica no estômago, além de alterações epigenéticas e mutações celulares. Com o tempo, esse quadro pode evoluir para gastrite atrófica e metaplasia intestinal, consideradas lesões precursoras, até chegar à neoplasia gástrica propriamente dita, especialmente em tumores localizados fora da região cárdica do estômago.

Homens, tabagismo e álcool aparecem como fatores associados

O levantamento identificou maior prevalência de casos entre homens, o que os autores relacionam a fatores comportamentais como tabagismo, consumo de álcool e hábitos alimentares inadequados.

Apesar de reconhecerem a importância da bactéria nesse processo, os pesquisadores apontam uma lacuna relevante: a escassez de dados nacionais sobre a prevalência da infecção por faixa etária, sobretudo entre adolescentes e idosos. Segundo o estudo, essa falta de informação dificulta a criação de políticas públicas de prevenção mais direcionadas.

O que os pesquisadores concluem

A revisão conclui que a infecção por Helicobacter pylori é um fator determinante, mas não exclusivo, para o surgimento do câncer gástrico. Prevenção, diagnóstico precoce e incentivo a hábitos de vida saudáveis são apontados pelos autores como estratégias essenciais para reduzir tanto a incidência quanto a mortalidade da doença.

Este texto tem caráter informativo e baseia se em uma revisão científica. Ele não substitui consulta, diagnóstico ou orientação de um médico. Pessoas com sintomas gástricos persistentes ou histórico familiar de câncer gástrico devem procurar avaliação de um profissional de saúde.

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