A Doença do Disco Intervertebral (DDIV) consolida-se na neurocirurgia veterinária como a afecção degenerativa mais prevalente da coluna vertebral de pequenos animais, sendo responsável por graves disfunções locomotoras e déficits neurológicos incapacitantes. Classicamente categorizada de acordo com as diretrizes de Hansen e Olsson, a patologia subdivide-se em Tipo I, caracterizada por degeneração condróide com extrusão aguda do núcleo pulposo para o canal medular, e Tipo II, que envolve a degeneração fibróide expressa por protrusão discal crônica e progressiva. Contudo, avanços diagnósticos contemporâneos revelaram novas variantes clínicas, tais como a extrusão discal aguda não compressiva (ANNPE), a extrusão do núcleo pulposo hidratado (HNPE) e as extrusões intradurais/intramedulares (IIVDE). Independentemente da etiologia molecular, a compressão do cordão medular desencadeia uma cascata fisiopatológica mecânica e isquêmica que exige diagnóstico por imagem rápido — via tomografia computadorizada ou ressonância magnética — e uma intervenção cirúrgica descompressiva imediata quando as terapias conservadoras falham.
No âmbito das abordagens operatórias para a descompressão do segmento toracolombar, técnicas tradicionais como a hemilaminectomia convencional oferecem ampla visualização do canal vertebral, porém demandam extensa dissecção da musculatura epaxial e remoção óssea significativa, fatores intrinsecamente associados à instabilidade vertebral pós-operatória e à dor crônica. Em contrapartida, a mini-hemilaminectomia consolida-se como um refinamento técnico minimamente invasivo de alta eficácia. Esse procedimento cirúrgico preserva as facetas articulares e os processos acessórios do segmento afetado, limitando a exérese óssea a uma pequena janela centrada no espaço intervertebral acometido. Essa preservação arquitetônica minimiza de forma expressiva o trauma tecidual iatrogênico, mitiga o risco de instabilidade biomecânica vertebral da coluna e proporciona uma recuperação funcional acelerada e menos álgica no período pós-operatório imediato.
A translação desses preceitos teóricos e práticos manifesta-se com clareza em quadros clínicos graves, nos quais cães condrodistróficos — como o Buldogue Francês — apresentam quadros agudos de paraparesia não deambulatória ou paraplegia com retenção urinária decorrentes de extrusão discal focal. A aplicação da mini-hemilaminectomia nesses cenários críticos permite o acesso cirúrgico seguro para a curetagem discal profética e a remoção minuciosa de fragmentos herniados mineralizados do canal medular. O sucesso clínico cirúrgico é altamente dependente da integridade e preservação da percepção de dor profunda no momento da admissão do paciente. A sinergia entre uma descompressão cirúrgica de precisão e a reabilitação fisioterápica multimodal precoce confere taxas de sucesso neurológico excelentes, consolidando a mini-hemilaminectomia como uma técnica indispensável na preservação da locomoção e da qualidade de vida de pequenos animais.
Referência (Formato ABNT):
ALMEIDA, Antonio Aleixo Ferreira de; VIVAS, Diego Gonzalez. Mini hemilaminectomy for removal of disc extrusion in a french bulldog: case report. Open Minds Internacional Journal, v. 1, n. 1, art. 15, p. 1-2, out. 2025. ISSN 2675-5157. DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.51571252300715.

