A produção escrita constitui uma habilidade linguística produtiva de caráter cognitivamente complexo, articulando processos de planejamento, tradução e revisão sob supervisão de instâncias de monitoramento executivo. Diante da relevância da competência textual no êxito acadêmico e na inserção profissional, a investigação conduzida por Jaja mapeou a evolução do panorama científico internacional referente ao desenvolvimento da escrita discente. A partir do levantamento bibliométrico na base de dados Scopus — aplicando a metodologia PRISMA para triagem de 7.650 registros iniciais e seleção final de 2.214 artigos publicados em periódicos —, o estudo delineou a dinâmica evolutiva, as metodologias sobressalentes, os núcleos de produtividade e as lacunas teóricas da área.
Os dados revelam que a frequência de publicações sobre o tema apresentou crescimento ascendente no período de 2014 a 2020, atingindo o pico produtivo em 2022 (340 artigos), seguido por uma oscilação observada entre 2021 e 2023. Do ponto de vista conceitual e estrutural, a análise de coocorrência de palavras-chave do título e do resumo evidenciou a predominância de investigações centradas na escrita acadêmica (academic writing) e no ensino superior (higher education, com f=121 ocorrências). Metodologicamente, a alta recorrência do termo effect (f=616), associado a constructos como control group e experimental group, atesta a prevalência de abordagens quase-experimentais e quantitativas voltadas à aferição de intervenções pedagógicas.
No plano da produtividade e do impacto acadêmico, o autor Graham destaca-se como a principal referência na área (f=105 citações), abordando a reconfiguração do ensino da escrita e intervenções de alfabetização integradas. Em termos institucionais e geográficos, a Arizona State University lidera a produção (9 documentos e 208 citações), enquanto os Estados Unidos se posicionam como o país mais produtivo (642 documentos e 5.173 citações), seguidos por Indonésia e Malásia. Entre os veículos de difusão científica, sobressaem-se os periódicos Reading and Writing (65 publicações), Asian EFL Journal (49) e International Journal of Instruction (37).
Importa ressaltar que a análise bibliométrica identificou subdomínios que demandam maior aprofundamento investigativo, constituindo lacunas promissoras para pesquisas futuras. Dentre essas áreas, destacam-se a habilidade de escrita argumentativa (argumentative writing), as práticas de escrita colaborativa (collaborative writing), os processos de aprendizagem em estudantes de inglês como língua estrangeira (EFL learners) e o papel das atitudes em relação à escrita (writing attitude). A integração de recursos tecnológicos emergentes — como inteligência artificial, ambientes virtuais e aprendizagem baseada em jogos contextualizados — desponta como vetor de transformação nas estratégias instrucionais voltadas ao aprimoramento textual.
REFERÊNCIA (ABNT):
JAJA. Research trends on students’ writing skills: A bibliometric analysis using Scopus database. Journal of Language and Education, v. 10, n. 3, p. 161-182, 2024. DOI: https://doi.org/10.17323/jle.2024.18806.

