Início Coluna Falta de regulamentação e a escolha do cirurgião plástico: como garantir segurança e qualidade

Falta de regulamentação e a escolha do cirurgião plástico: como garantir segurança e qualidade

por Redação CPAH

Por Dr. Bora Kostić

A busca pela aparência perfeita tem levado cada vez mais pessoas a se submeterem a procedimentos estéticos e cirurgias plásticas. As redes sociais geram instantaneamente inúmeras tendências que vem e se vão, e uma tem se destacado cada vez mais: a cirurgia plástica. Com a exposição cada vez maior de pessoas famosas que compartilham publicamente suas transformações, a procura por procedimentos estéticos tem se tornado cada vez mais frequente. No entanto, a falta de regulamentação na área e a crescente oferta de serviços por profissionais sem a devida qualificação têm colocado a saúde e a segurança dos pacientes em risco.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), 459 mil cirurgias plásticas estéticas foram realizadas entre 2007 e 2008. Já no dado mais atualizado, de 2020, da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), são apontadas 1.306.962 intervenções cirúrgicas estéticas feitas durante o ano. E muitos desses profissionais não são especialistas na área e não possuem a qualificação necessária para realizar procedimentos seguros e eficazes.

A SBCP alerta para o fato de que muitas cirurgias plásticas realizadas no Brasil são feitas por profissionais que não são especialistas na área. Um dos principais fatores que fazem as pessoas procurarem por profissionais sem credibilidade, são os preços baixos oferecidos. Mas o que muitos não sabem é que se feito de maneira errada, esses procedimentos podem causar sangramento, infecção, cicatrizes indesejáveis, e até ocasionar a morte. “Nossa área é uma das mais invadidas por pessoas que não são aptas para exercer a profissão, e isso gera muitas consequências terríveis”, comenta o médico e cirurgião plástico Bora Kostić.

Em virtude da popularização e da alta demanda por esses procedimentos estéticos, é comum ver dentistas, biomédicos e enfermeiros  oferecendo desde implantes de próteses até rinoplastia. Por exemplo, a BBL, que modela o famoso “bumbum brasileiro” é a cirurgia plástica com a maior taxa de complicações pós-operatórias. A taxa de mortalidade da BBL é alarmante, com um paciente falecendo a cada 3.000 casos “Isso ocorre principalmente pela aplicação de um volume extremamente exagerado, ou de cirurgias sem cuidados mínimos. Costumamos colocar de 300ml a 500ml, e há pessoas que aplicam mais de 1200ml. Isso gera muitas complicações. Há quem faça aplicação de Polimetilmetacrilato, até hidrogel na região do bumbum sem saber como aplicar, e isso pode gerar até necrose”, ele ainda afirma que o que poucos sabem é que essa cirurgia muitas vezes é feita por cirurgiões que não são licenciados na área das cirurgias plásticas. “Há profissionais que fazem um curso de algumas horas, uma formação durante um final de semana e já saem fazendo implante. É preciso lembrar que cada pessoa possui uma anatomia única, e é necessário analisar se o procedimento é adequado. A escolha de um profissional experiente garante um resultado natural e harmônico”, alerta o cirurgião. 

Por isso, é fundamental pesquisar corretamente antes de decidir por um cirurgião plástico e avaliar seu histórico, sua formação e seu compromisso com a segurança e o bem-estar dos pacientes. Dr.Bora ressalta a importância de conscientizar as pessoas sobre as consequências permanentes de procedimentos mal planejados e incentivá-las a buscar aconselhamento especializado antes de tomar qualquer decisão,  para garantir resultados satisfatórios e seguros, preservando a saúde e a autoestima.

Sobre Dr. Bora Kostić

Dr. Velibor Kostić, conhecido como Bora Kostić, se formou em Medicina na Universidade Federal de Belgrado, na Sérvia, chegando a servir na guerra de 1999. Especializou-se em Cirurgia Geral e em Cirurgia Plástica no Hospital Geral de Bonsucesso. Neste meio tempo, fez estágio no Departamento de Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Microcirurgia do Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Rio de Janeiro. Revalidou o diploma de Medicina na Universidade Federal de Santa Catarina. Bora é membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e membro ativo da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e da Sociedade Americana de Cirurgia Estética.

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