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Fungos Zumbis e alterações neuromoduladoras

por Redação CPAH

Por: Prof. Dr. Fabiano de Abreu Agrela 

Os fungos são organismos eucarióticos diversos e complexos, com características únicas, como a parede celular composta de quitina e glucanos. A maioria dos fungos desenvolve-se como hifas, estruturas multicelulares, filamentosas e septadas, que podem formar um micélio circular. Os fungos têm uma alta capacidade metabólica, permitindo que eles usem vários substratos para crescimento e reprodução, dependendo de nutrientes, temperatura, pH e umidade do substrato. A verdadeira biodiversidade do reino dos fungos é subestimada, com apenas cerca de 5% formalmente classificados. Um grupo peculiar de fungos é o entomopatogênico, capaz de infectar insetos e atuar como agentes de controle biológico na agricultura. O Cordyceps é um exemplo de entomopatogênico com distribuição tropical, capaz de infectar formigas carpinteiras para alterar seu comportamento. Alguns estudos destacam a possibilidade de pandemia semelhante à representada em séries de TV, como a que mostra o Ophiocordyceps capaz de transformar as formigas em “zumbis”.

Os fungos são importantes para a vida devido à sua presença em diversos habitats e processos biológicos, como a ciclagem de nutrientes e a decomposição de matéria orgânica no solo. Além disso, os fungos produzem substâncias secundárias com uso comercial significativo em alimentos, medicamentos, biodegradação e tratamento de efluentes. Eles também são usados na produção industrial de alimentos, bebidas alcoólicas e produtos farmacêuticos. Alguns fungos são necessários para a biorremediação em ambientes contaminados com compostos difíceis de degradar, como pesticidas, resíduos industriais e metais pesados. No entanto, muitas micotoxinas são responsáveis por sintomas graves quando consumidas ou liberadas no hospedeiro.

O reino dos fungos é classificado em filos com base em características morfológicas e reprodutivas. A dispersão por esporos ajuda a manter a espécie e aumentar a variabilidade genética. Alguns fungos são adaptados à dispersão em períodos secos, o que pode ser problemático para a agricultura e causar alergias respiratórias. Ascomycota é o principal filo de fungos causadores de doenças em humanos, com gêneros como Aspergillus, Penicillium, Saccharomyces, Candida e Cryptococcus. Para estabelecer infecções em humanos, os patógenos devem penetrar as barreiras do hospedeiro, adaptar-se ao tecido humano e evadir o sistema imunológico. Fatores de virulência e micotoxinas desempenham um papel na progressão da doença. Muitos fungos são patógenos oportunistas e podem invadir tecidos quando as barreiras do hospedeiro não estão funcionando corretamente. A infecção do sistema nervoso central é difícil de tratar com os tratamentos atuais disponíveis.

As infecções fúngicas são um problema de saúde global devido à alta mortalidade e consequências socioeconômicas, afetando principalmente idosos e indivíduos imunocomprometidos. As infecções fúngicas alérgicas são desencadeadas por doenças pré-existentes, como asma e sinusite, enquanto as infecções dermatofíticas afetam a pele, unhas e cabelos. Alguns tipos de infecções fúngicas podem se espalhar para outros tecidos e causar doenças graves. O uso excessivo de fungicidas na agricultura e o uso de antibióticos e corticosteroides em hospitais têm levado ao desenvolvimento de fungos resistentes a medicamentos antifúngicos. Candida albicans e Candida auris são as espécies mais comuns de fungos que causam infecções em humanos. O Aspergillus fumigatus é um fungo que pode causar doenças alérgicas e infecções pulmonares graves, enquanto os fungos do gênero Mucorales podem causar mucormicose. A pandemia de COVID-19 aumentou a prevalência de algumas infecções fúngicas, especialmente em pacientes imunocomprometidos. O diagnóstico e o tratamento de infecções fúngicas são desafiadores, e é necessário o desenvolvimento de novas terapias e métodos de diagnóstico mais precisos e rápidos.

Infecções fúngicas do sistema nervoso central (SNC) têm se tornado cada vez mais comuns nas últimas duas décadas devido à virulência das cepas e à resposta imune do hospedeiro. A interação com a barreira hematoencefálica (BHE) é essencial para o patógeno atingir o sistema nervoso de forma direta ou indireta. O diagnóstico depende de uma combinação de procedimentos, e o tratamento ainda tem um baixo prognóstico, reforçando a necessidade de diagnóstico rápido e identificação correta do agente causador. As infecções fúngicas têm sido um problema global de saúde devido à elevada mortalidade, mas ainda não são consideradas uma pandemia fúngica.

Alguns destaques

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