Início ColunaBiologia Proteínas dos tardígrados dão “superpoderes” para células humanas

Proteínas dos tardígrados dão “superpoderes” para células humanas

por Nicoli Ribeiro Martinazzo
Créditos: Noticieros Televisa

Conhecidos por serem uma das criaturas mais resistentes do planeta, os minúsculos tardígrados, também chamados de ursos-d’água, podem conferir temporariamente “superpoderes” a células humanas, como a desaceleração do metabolismo, em experimentos in vitro realizados em laboratório. No teste, pesquisadores da Universidade de Wyoming, nos Estados Unidos, adicionaram proteínas específicas dos tardígrados em células humanas. Como resposta a essa adição, as células reduziram a atividade do metabolismo e perderam grandes quantidades de água, o que aumenta o tempo de vida delas em momentos de estresse. Os resultados foram descritos na revista Protein Science.

Os tardígrados são conhecidos por sua capacidade de resistir a condições extremas, como altas pressões, temperaturas extremas e até mesmo a exposição ao vácuo do espaço. Essas habilidades únicas despertaram interesse científico, levando à pesquisa sobre como essas características poderiam ser aplicadas em outras espécies, incluindo humanos.

Por trás da resistência dos tardígrados está a capacidade de perder quase toda a água do organismo, entrando em uma forma latente. É essa capacidade que confere a eles habilidades quase únicas de sobrevivência na natureza, independentemente do ambiente adverso.

Por exemplo, eles conseguem sobreviver a enormes variações de temperaturas, incluindo serem congelados ou aquecidos a temperaturas superiores a 140 ºC. Anteriormente, já se descobriu que eles podem se manter vivos apesar do vácuo do espaço.

Durante o estado de latência, os tardígrados reduzem sua taxa metabólica para algo próximo de 0,01% e perdem até 99% da água presente em seu organismo. Esse estado de animação suspensa, chamado de biostase, ativa proteínas capazes de formar géis dentro das células e retardar todos os processos vitais, incluindo o envelhecimento.

No experimento conduzido pela equipe da Universidade de Wyoming, foram introduzidas justamente essas proteínas especiais nas células humanas. “Surpreendentemente, quando introduzimos essas proteínas nas células humanas, elas também formaram um gel e retardaram o metabolismo, assim como nos tardígrados”, afirmou Silvia Sanchez-Martinez, pesquisadora da Universidade de Wyoming e principal autora do estudo, em nota à imprensa.

“Assim como os tardígrados, quando você coloca células humanas que possuem essas proteínas em biostase, elas se tornam mais resistentes ao estresse, conferindo algumas das habilidades dos tardígrados às células humanas”, acrescentou a pesquisadora. O mais interessante é que todo o processo parece ser reversível. Com o fim da situação limite, os géis formados se dissolvem e as células humanas voltam a funcionar normalmente, com a mesma taxa de metabolismo anterior.

Com base nas descobertas com os tardígrados, os cientistas acreditam ter encontrado um novo caminho de pesquisa para retardar o envelhecimento das células humanas e melhorar o armazenamento celular em laboratório. No futuro, será possível desenvolver técnicas usando as proteínas das criaturas mais resistentes do mundo para preservar células humanas por longos períodos, sem a necessidade de refrigeração. Isso também pode ajudar no aumento da validade de medicamentos.

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