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O desenvolvimento da inteligência como método para amenizar os problemas relacionados aos distúrbios mentais

por Redação CPAH

Pesquisadores(as): 

Dr. Fabiano de Abreu – O Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, é um Pós-doutor e PhD em neurociências eleito membro da Sigma Xi, The Scientific Research Honor Society e Membro da Society for Neuroscience (USA) e da APA – American Philosophical Association, Mestre em Psicologia, Licenciado em Biologia e História; também Tecnólogo em Antropologia e filosofia com várias formações nacionais e internacionais em Neurociências e Neuropsicologia. Pesquisador e especialista em Nutrigenética e Genômica. É diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito (CPAH), Cientista no Hospital Universitário Martin Dockweiler, Chefe do Departamento de Ciências e Tecnologia da Logos University International, Membro ativo da Redilat, membro-sócio da APBE – Associação Portuguesa de Biologia Evolutiva e da SPCE – Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação. Membro das sociedades de alto QI Mensa, Intertel, ISPE High IQ Society e Triple Nine Society. Autor de mais de 200 artigos científicos e 15 livros.

Sobre Dr. Flávio H. Nascimento

Dr. Flávio Henrique é formado em medicina pela UFCG, com residência médica em psiquiatria pela UFPI e mais de 10 anos de experiência na área de psiquiatria. Diagnosticado com superdotação, tem 131 pontos de QI o que equivale a 98 de percentil e é membro do CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito como pesquisador auxiliar.

Introdução

A inteligência é uma capacidade complexa do sistema cognitivo humano, envolvendo a habilidade de processar informações, resolver problemas, aprender por meio da experiência e adaptar-se a novas situações. Ela se manifesta através de diferentes formas, como inteligência verbal, lógica, espacial, interpessoal e intrapessoal, entre outros. A inteligência é influenciada por fatores genéticos e ambientais, estudos interdisciplinares, incluindo psicologia, neurociência e educação, buscam compreender sua natureza multifacetada e implicações práticas.

A importância do desenvolvimento da inteligência transcende os limites individuais, refletindo uma fundação essencial para o progresso humano e a resolução de desafios complexos, mas altos pontos de QI podem estar relacionados a uma menor possibilidade do desenvolvimento de distúrbios mentais.

Inteligência: Fatores de influência e critérios de análise

A inteligência é um constructo multidimensional influenciado por uma interação complexa entre fatores biológicos e ambientais. 

Regiões cerebrais: A inteligência está associada a múltiplas regiões cerebrais interconectadas, com destaque para o córtex pré-frontal, em especial às suas subdivisões: 

Córtex pré-frontal dorsolateral: Memória de trabalho e episódica, foco atencional, raciocínio lógico, atenção, planejamento e motivação;

Córtex pré-frontal ventromedial: Tomada de decisões, empatia,linguagem, controle emocional e inibição motora;

Córtex pré-frontal rostral: Criatividade, metacognição, multitarefas, memória prospectiva e mentalização;

Córtex pré-frontal orbitofrontal: Decisão guiada por recompensa, aprendizado, recuperação de memórias, prevenção e moderação comportamental.

Essas áreas interagem com o corpo estriado e sistema límbico, influenciando motivação, emoção e aprendizado.

Genética: A genética também desempenha um papel importante, com estudos de gêmeos e análises de polimorfismos genéticos identificando contribuições hereditárias para a inteligência.

Ambiente: Fatores ambientais, como estimulação cognitiva na infância, educação formal e qualidade do ambiente familiar, também moldam a inteligência. Modelos epigenéticos indicam como interações gene-ambiente podem modular a expressão de genes relacionados à cognição.

A análise da inteligência abrange abordagens multidisciplinares. Análises genéticas investigam variantes gênicas associadas à inteligência, revelando influências poligênicas. Exames de neuroimagem, como ressonância magnética funcional, mapeiam a atividade cerebral em tarefas cognitivas, elucidando correlações neuroanatômicas.

Os tradicionais testes de QI, apesar de algumas limitações, oferecem uma métrica de inteligência geral. Versões expandidas, como a teoria das inteligências múltiplas ou a inteligência DWRI e abordagens como a avaliação de inteligência emocional, buscam avaliar um espectro mais amplo de habilidades cognitivas e sociais.

QI e distúrbios mentais: Inversamente proporcionais?

O QI continua sendo a mais popular e tradicional métrica de inteligência, por isso, é o critério mais amplamente utilizado para análises envolvendo os impactos do desenvolvimento de habilidades cognitivas em outros campos da vida, como a saúde mental.

Transtornos mentais podem comprometer significativamente a qualidade de vida, afetando os âmbitos físico, emocional e social, resultando em prejuízos nas relações interpessoais, desempenho profissional, além de influenciar a tomada de decisões e causar sintomas físicos, como fadiga crônica e distúrbios do sono, ampliando ainda mais o impacto na vida diária. 

No entanto, estudos apontam uma relação “inversamente proporcional” entre o QI e a inteligência, traçando um paralelo entre um melhor desenvolvimento da inteligência e um menor risco do desenvolvimento de transtornos e condições mentais ao longo do tempo, o que contrasta com análises controversas que apontam o contrário.

Especialistas observam características em pessoas de alto QI que contribuem para uma resolução mais efetiva das alterações psíquicas quando estão enfermos. Inclusive, é conhecido o predomínio de ondas alfa na atividade elétrica cerebral de adolescentes com alto QI e sua relação com a serotonina para promover o relaxamento e bem-estar.

Outro ponto importante que deve ser observado é a relação entre transtornos mentais, em especial o narcisismo, com a região pré-frontal do cérebro, área também fortemente associada à inteligência, o que nos aponta outra forte conexão entre o desenvolvimento da inteligência, e paralelamente da regiões frontais do cérebro, com um maior controle de aspectos ligados a transtornos mentais.

No entanto, para esses efeitos positivos a inteligência deve ser direcionada pois caso ela seja voltada à impulsividade, alguns pontos de sofrimento relacionados a transtornos mentais podem ser aumentados. 

Estas análises apontam que esta relação entre o desenvolvimento da inteligência pode ser um importante método para amenizar problemas relacionados a transtornos mentais, não apenas em relação ao seu desenvolvimento, como também com a forma de lidar com esses problemas.

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ISSN: 2763-6895

Prefixo DOI: 10.56238/cpahciencia

Alguns destaques

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