A transição para a adolescência constitui um período crítico de maturação biológica, cognitiva e social. No Transtorno do Espectro Autista (TEA), tais transformações assumem contornos de elevada complexidade. As características inerentes ao espectro — designadamente os déficits na comunicação social, os padrões comportamentais repetitivos, os interesses restritos e as atipicidades no processamento sensorial — exercem impacto direto na capacidade de adaptação do indivíduo aos estímulos do meio. Durante essa etapa, o aumento das exigências interpessoais e o surgimento das mudanças puberais demandam habilidades de adaptação complexas, frequentemente tensionando as barreiras da comunicação social e do reconhecimento de nuances emocionais.
O diagnóstico de TEA na adolescência impõe entraves metodológicos significativos aos profissionais de saúde, dado que os quadros clínicos podem ser mascarados por estratégias compensatórias ou camuflados por comorbidades psiquiátricas, tais como transtornos de ansiedade, depressão e o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Indivíduos não diagnosticados na infância costumam apresentar maior percepção acerca das suas atipicidades sociocognitivas, o que se correlaciona com o prejuízo da autoimagem, sentimentos de isolamento e sobrecarga emocional. O diagnóstico tardio, contudo, quando fundamentado em avaliação interdisciplinar (envolvendo profissionais da psicologia, psiquiatria e fonoaudiologia) e na análise minuciosa do histórico do desenvolvimento, configura oportunidade essencial para a instituição de suportes terapêuticos direcionados e para a promoção da adaptação funcional rumo à vida adulta.
Em relação aos domínios da socialização e da sexualidade, verifica-se que a maturação biológica ocorre conforme os parâmetros do desenvolvimento típico, contudo permeada por mitos e negações sociais que fragilizam o autocuidado. A literatura demonstra que a implementação de recursos de Comunicação Alternativa e Ampliada (CAA) e o treino de habilidades sociais proporcionam avanços expressivos na intenção comunicativa e no desempenho pragmático e morfossintático. Paralelamente, a garantia do acesso à educação socioafetiva e sexual fundamentada no modelo social da deficiência e na neurodiversidade atua como fator de proteção contra situações de abuso, violência e exploração, viabilizando o exercício seguro da autonomia corporal e o fortalecimento de identidades plurais.
O ambiente educacional constitui um dos principais cenários de vulnerabilidade e adaptação para o adolescente com TEA. Relatos autobiográficos e estudos de campo evidenciam a expressiva ocorrência de fenômenos de bullying, manifestados por violência verbal direta, intimidação física (perpetrada inclusive por agentes escolares) e segregação social, os quais potencializam a solidão e o isolamento. A superação dessas barreiras requer a construção de ambientes estruturados e previsíveis, a adequação de estímulos para evitar a sobrecarga sensorial, além do emprego de metodologias de ensino diferenciadas e visuais. Nesse contexto, a atuação articulada entre o núcleo familiar, a equipe pedagógica e os profissionais de saúde — mediante instrumentos como o Plano de Desenvolvimento Individualizado (PDI) e programas de suporte socioemocional — figura como pré-requisito indispensável para a preservação da saúde mental, a redução de preconceitos e a efetiva inclusão e emancipação do jovem no espectro autista.
Referência (Conforme as normas da ABNT – NBR 6023)
QUEIROZ, José Orlando da Silva; GONÇALVES, Natanael Barros; PINTO, Danyely Almeida Lopes; AZEVEDO, Naiana Ribeiro; SILVA, Luiz Carlos Gomes Sousa da; OLIVEIRA, Ana Célia dos Anjos; NEVES, Keyla Suellen Rocha; SILVA, Amanda Cristina Medeiros da; SILVA E SILVA, Ayres Fran da; MEDEIROS, Elenson Gleison de Souza; SILVA, Priscilla Andrade. Challenges during adolescence for people with Autism Spectrum Disorder. Derecho y Cambio Social, v. 23, n. 95, p. 1-19, 2026. DOI: https://doi.org/10.54899/dcs.v23195.6368[cite: 1, 2].