O consumo de doces, chocolates e produtos de confeitaria apresenta uma prevalência expressiva nos países nórdicos e bálticos, onde a ingestão de açúcares adicionados frequentemente ultrapassa as metas de saúde pública. De acordo com os dados apresentados na revisão de escopo elaborada por Vepsäläinen e Sonestedt (2024) para o projeto Nordic Nutrition Recommendations 2023 (NNR2023), esses alimentos constituem a principal fonte de açúcares adicionados nas dietas da população adulta e infantil dessas regiões, chegando a responder por aproximadamente metade dessa Ingestão em diversos grupos etários. O perfil nutricional dessa categoria de alimentos é caracterizado por uma elevada densidade energética associada a uma baixa densidade de micronutrientes essenciais e fibras alimentares, o que fomenta o fenômeno de “diluição nutricional” (micronutrient dilution).
Sob a perspectiva fisiopatológica, a substituição de alimentos in natura ou minimamente processados por confeitos altamente palatáveis pode comprometer o balanço energético global, predispondo os indivíduos ao ganho ponderal. Embora os açúcares sólidos possam apresentar um poder sacietógeno ligeiramente superior ao dos açúcares líquidos presentes em bebidas adoçadas, o impacto metabólico do excesso de carboidratos refinados permanece deletério. Dados sintetizados pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) demonstram que a ingestão elevada de açúcar proveniente de alimentos sólidos promove alterações estatisticamente significativas nos níveis plasmáticos de glicemia em jejum, colesterol total, HDL-colesterol, triglicerídeos e ácido úrico.
Embora o cacau contenha compostos bioativos relevantes, como os flavonoides (notadamente epicatefina e procianidinas) com potenciais propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e de melhora da função endotelial, as evidências clínicas que associam o consumo de chocolate comercial a benefícios cardiovasculares ou metabólicos reais são classificadas como de baixa ou muito baixa qualidade. A maioria dos ensaios clínicos utiliza extratos ou chocolates amargos enriquecidos com concentrações de flavonoides substancialmente superiores às encontradas nos chocolates ao leite convencionais. Ademais, a presença de gorduras saturadas e açúcares livres nesses produtos supera largamente eventuais efeitos protetores dos polifenóis.
Diante da escassez de evidências que comprovem efeitos benéficos e do risco comprovado de cárie dentária e distúrbios metabólicos, a recomendação científica convergente indica que a ingestão de açúcares livres deve ser mantida no menor nível possível dentro de um padrão alimentar nutricionalmente adequado.
Referência
VEPSÄLÄINEN, Henna; SONESTEDT, Emily. Sweets and other sugary foods – a scoping review for Nordic Nutrition Recommendations 2023. Food & Nutrition Research, v. 68, 10488, p. 1-8, 2024. DOI: http://dx.doi.org/10.29219/fnr.v68.10488.