A transição para o ensino superior representa um período crítico de vulnerabilidade no ciclo de vida de jovens adultos, marcado por alterações substanciais no estilo de vida, na autonomia pessoal e nos padrões alimentares. A prevalência do consumo de refeições do tipo fast food, constituídas predominantemente por alimentos ultraprocessados de elevada densidade energética e baixo valor nutricional, tem aumentado na população universitária, suscitando sérias preocupações para a saúde pública e a nutrição clínica. Investigações epidemiológicas transversais conduzidas em instituições de ensino superior em Portugal revelam que a grande maioria dos estudantes (76,4%) consome regularmente fast food, dos quais cerca de 34,2% relatam uma frequência de consumo igual ou superior a uma vez por semana. O formato de refeição predominantemente escolhido pelos acadêmicos é o hambúrguer (78,0%), seguido pela pizza (12,7%), com um custo médio associado de 8,6 euros por refeição.
Os determinantes centrais que regem a escolha por esse padrão alimentar concentram-se na facilidade ou conveniência de preparação (59,9%), no preço do alimento (48,5%) e no sabor ou palatabilidade (28,3%). As barreiras de tempo impostas pela carga horária acadêmica e a busca por praticidade sob estados de fadiga favorecem a preferência por opções de serviço rápido em detrimento do preparo doméstico ou da frequência a cantinas universitárias sociais. Adicionalmente, verificam-se disparidades estatisticamente significativas entre os sexos: os indivíduos do sexo masculino apresentam maiores valores de índice de massa corporal, maior prevalência de excesso de peso (26,8% de pré-obesidade e 6,1% de obesidade vs. 12,3% e 3,2% no sexo feminino) e uma frequência e adesão ao consumo de fast food significativamente superiores. No público masculino, o desejo ou apetência voluntária por esse tipo de refeição atua como o principal fator de escolha, ao passo que no público feminino observa-se uma maior preocupação com o controlo ponderal e com a adoção de uma alimentação saudável.
A análise do estado nutricional da população universitária indica que 21,4% dos estudantes apresentam excesso de peso. Demonstra-se uma correlação positiva entre o índice de massa corporal e a idade dos estudantes, bem como entre o índice de massa corporal e o montante financeiro despendido por refeição de fast food. Paralelamente, fatores de contexto social, como a convivência e a socialização com amigos e familiares, exercem uma influência acentuada na escolha do fast food, sobretudo entre os estudantes que frequentam estabelecimentos de ensino privado. Por outro lado, os acadêmicos com índices de massa corporal mais elevados priorizam o controlo de peso como determinante da sua conduta alimentar, evidenciando uma maior percepção dos riscos metabólicos associados a uma ingestão rica em gorduras, açúcares simples e sódio. A implementação de intervenções direcionadas na atenção primária e no ambiente universitário — tais como a ampliação do acesso a refeições equilibradas em cantinas públicas e a disponibilização clara de informação nutricional nos menus — revela-se fundamental para capacitar as escolhas alimentares e mitigar o risco de doenças crônicas não transmissíveis na idade adulta.
OLIVEIRA, Leandro; RAPOSO, António. Factors That Most Influence the Choice for Fast Food in a Sample of Higher Education Students in Portugal. Nutrients, v. 16, n. 7, p. 1007, 2024. DOI: 10.3390/nu16071007.