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Tratamento médico antigo pode ter transmitido a doença de Alzheimer, diz estudo

Este distúrbio, a forma mais prevalente de demência, surge devido à acumulação de proteínas amiloides no cérebro. Fatores como idade, genética, estilo de vida e certas condições de saúde são conhecidos por aumentar o risco de desenvolvimento da doença.

por Redação CPAH

Pela primeira vez, pesquisadores identificaram que a doença de Alzheimer, tradicionalmente vista como resultado de processos internos, pode ter sido desencadeada por um tipo específico de tratamento médico.

Este distúrbio, a forma mais prevalente de demência, surge devido à acumulação de proteínas amiloides no cérebro. Fatores como idade, genética, estilo de vida e certas condições de saúde são conhecidos por aumentar o risco de desenvolvimento da doença.

Um estudo divulgado na Nature Medicine e realizado por cientistas da University College London (UCL) aponta uma ligação entre tratamentos antigos com hormônio de crescimento e o surgimento da doença de Alzheimer, conforme anunciado pela UCL.

Os sujeitos da pesquisa receberam hormônio de crescimento humano derivado de glândulas pituitárias post-mortem (c-hGH), e foi observado que esse tratamento resultou em um incremento das proteínas beta-amiloides no cérebro.

Dos oito pacientes analisados, que receberam c-hGH na infância, cinco manifestaram sintomas demenciais e foram diagnosticados com Alzheimer ou se enquadravam nos critérios da doença, com início dos sintomas entre 38 e 55 anos. Análises genéticas excluíram a hereditariedade como causa.

“A nossa descoberta indica a possibilidade de que a patologia da beta-amiloide possa ser transmitida e contribuir para a doença de Alzheimer”, declarou o Dr. Gargi Banerjee, pesquisador no Instituto de Doenças de Príons da UCL, enfatizando que essa transmissão se deu por meio de um tratamento específico e já descontinuado, que incluía a aplicação de material contaminado durante anos.

É crucial notar, conforme os pesquisadores, que a doença de Alzheimer não se transmite por interações pessoais cotidianas ou durante o atendimento médico regular.

“Não existe evidência alguma de que a doença de Alzheimer possa ser transmitida de pessoa para pessoa em situações do dia a dia ou em procedimentos médicos comuns”, destacou o líder do estudo, Professor John Collinge, diretor do Instituto de Doenças de Príons da UCL e consultor neurologista no UCLH.

Os casos mencionados envolveram um tratamento específico, já não utilizado, relacionado à injeção de material conhecido por estar contaminado com proteínas ligadas à doença. Esse método de tratamento com hormônio de crescimento foi abandonado em 1985, após ser vinculado à doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma doença cerebral degenerativa que provoca demência e, eventualmente, a morte.

Os resultados deste estudo visam a prevenção de futuras transmissões acidentais através de procedimentos médicos ou cirúrgicos, segundo Collinge.

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