Início ColunaNeurociências Transtorno explosivo intermitente e terapia cognitivo-comportamental: uma abordagem abrangente

Transtorno explosivo intermitente e terapia cognitivo-comportamental: uma abordagem abrangente

Tais explosões podem ser verbais (gritos, xingamentos) ou físicas (agressividade contra objetos ou pessoas) e causam sofrimento significativo ao indivíduo e ao seu entorno.

Introdução

O Transtorno Explosivo Intermitente (TEI) é um transtorno mental caracterizado por episódios recorrentes de explosões de raiva desproporcionais e incontroláveis. Tais explosões podem ser verbais (gritos, xingamentos) ou físicas (agressividade contra objetos ou pessoas) e causam sofrimento significativo ao indivíduo e ao seu entorno.

Contudo, o TEI é frequentemente negligenciado, apesar de ter um impacto significativo na vida dos indivíduos que o apresentam. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), o TEI é caracterizado por:

  • Episódios recorrentes de explosões de raiva que não são premeditadas.
  • Falha em resistir ao impulso de raiva.
  • Agressividade verbal ou física desproporcional ao gatilho.
  • Causa sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida.

Neste sentido, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tem se mostrado eficaz no tratamento do TEI, através de técnicas que auxiliam na identificação e modificação de pensamentos e comportamentos disfuncionais.

Epidemiologia, etiologia e outras informações

A prevalência do TEI na população geral é estimada em torno de 3% a 6%. O transtorno geralmente se inicia na infância ou adolescência e pode persistir na vida adulta. Homens são mais frequentemente afetados do que mulheres.

As causas do TEI ainda não são totalmente compreendidas, envolvendo fatores psicológicos, neurobiológicos, sociais e, etc. Quanto aos fatores de risco, incluem-se trauma na infância, genética e anormalidades serotonérgicas no cérebro, especialmente nas áreas do córtex orbito frontal e do sistema límbico.

  • Fatores psicológicos: Dificuldades na regulação emocional, impulsividade e crenças disfuncionais sobre raiva são fatores psicológicos que podem contribuir para o TEI.
  • Fatores neurobiológicos: Estudos sugerem que alterações nos neurotransmissores cerebrais, como serotonina e dopamina, podem estar relacionadas ao TEI. Além disso, anormalidades estruturais e funcionais em algumas áreas do cérebro também foram associadas ao transtorno.
  • Fatores sociais: Exposição à violência na infância, negligência e abuso são fatores sociais que podem aumentar o risco de desenvolvimento do TEI.

Além disso, o TEI frequentemente coexiste com outros transtornos mentais, como transtorno de personalidade borderline, transtorno de personalidade antissocial, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e transtornos de abuso de substâncias.

Sintomas, diagnóstico e tratamento

Os principais sintomas segundo do DSM-5, são:

  • Explosões recorrentes de raiva
  • Agressividade verbal ou física
  • Dificuldade em controlar a raiva
  • Impulsividade
  • Irritabilidade
  • Dificuldade em se concentrar
  • Sentimentos de culpa e vergonha após as explosões
  • Prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida

O diagnóstico do TEI é realizado por um profissional de saúde mental, com base em uma entrevista clínica criteriosa e em instrumentos de avaliação específicos. Quanto ao tratamento, ele geralmente inclui uma combinação de psicoterapia e medicação. No geral, os medicamentos mais utilizados são antidepressivos e estabilizadores de humor.

Quanto as psicoterapias, cita-se aqui a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que se mostrou eficaz no tratamento do TEI, pois ela visa auxiliar o indivíduo a identificar e modificar pensamentos e comportamentos disfuncionais relacionados à raiva.

  • Treinamento de habilidades de manejo da raiva: Ensina técnicas para identificar e controlar a raiva, como respiração profunda, relaxamento muscular progressivo e comunicação assertiva.
  • Restruturação cognitiva: Auxilia na identificação e modificação de pensamentos disfuncionais relacionados à raiva, como pensamentos distorcidos sobre situações e crenças negativas sobre si mesmo.
  • Exposição gradual a situações que provocam raiva: Ensina o indivíduo a enfrentar situações que provocam raiva de forma gradual e controlada.
  • Treinamento de habilidades sociais: Ensina habilidades para melhorar a comunicação e o relacionamento interpessoal.

Conclusão

O Transtorno Explosivo Intermitente (TEI) é um transtorno mental grave que impacta consideravelmente a vida dos indivíduos que o possuem. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) se mostra como uma forma eficaz de tratamento, auxiliando na identificação e modificação de pensamentos e comportamentos disfuncionais relacionados à raiva, além de promover o desenvolvimento de habilidades para lidar com situações estressantes e controlar a raiva de forma saudável.

Referências

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Alguns destaques

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