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Psilocibina e Alcoolismo: Novas descobertas promissoras

Embora ainda sejam necessárias mais pesquisas, este estudo é um passo importante na busca por novas e mais eficazes formas de tratamento para o AUD.

por Redação CPAH

Dr. Fabiano de Abreu Agrela, Pós PhD em Neurociências pela Califórnia University e Mestre em Psicologia, membro do Society for Neuroscience nos Estados Unidos, comenta um estudo recente publicado na revista Scientific Reports que investiga os efeitos da terapia assistida por psilocibina na função cerebral de pessoas com transtorno por uso de álcool (AUD).

O estudo:

  • Envolveu 11 adultos com AUD.
  • Combinou psilocibina ou placebo com sessões de psicoterapia.
  • Realizou exames de ressonância magnética funcional (fMRI) antes e depois do tratamento.

Resultados:

  • Mudanças na atividade cerebral:
    • Aumento da atividade no córtex pré-frontal medial e lateral (PFC) e no caudado esquerdo (funções cognitivas, tomada de decisões, regulação emocional).
    • Diminuição da atividade nos córtices ínsula, motor, temporal, parietal e occipital, e no cerebelo (desejo, comportamento automático, processamento sensorial).
  • Respostas únicas a diferentes tipos de sinais emocionais:
    • Para sinais negativos, aumento da atividade no giro supramarginal (empatia, processamento emocional).
    • Para sinais positivos, aumento da atividade do hipocampo direito e diminuição da atividade do hipocampo esquerdo (integração de experiências emocionais positivas).

Dr. Agrela comenta:

“Este estudo piloto oferece novos insights sobre como a terapia assistida por psilocibina pode modificar a função cerebral em pessoas com AUD. As mudanças observadas sugerem que a psilocibina pode ajudar a reduzir o desejo por álcool, melhorar a regulação emocional e fortalecer os circuitos cerebrais relacionados à cognição e ao controle do comportamento.”

Limitações do estudo:

  • Tamanho da amostra pequeno.
  • Grupo de participantes homogêneo.

Próximos passos:

  • Estudos maiores com populações mais diversas.
  • Investigar a relação entre as alterações cerebrais e os resultados clínicos.

Dr. Agrela conclui:

“Embora ainda sejam necessárias mais pesquisas, este estudo é um passo importante na busca por novas e mais eficazes formas de tratamento para o AUD. A terapia assistida por psilocibina pode ser uma ferramenta promissora para ajudar as pessoas a superar o alcoolismo.”

Observações adicionais:

  • O estudo não encontrou alterações no circuito de recompensa do cérebro, o que foi inesperado.
  • Os autores do estudo alertam que os resultados não devem ser interpretados como definitivos.
  • Mais pesquisas são necessárias para confirmar os resultados e determinar a melhor forma de usar a psilocibina no tratamento do AUD.

Alguns destaques

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