Início Coluna Predisposição genética: A relação entre autismo e superdotação

Predisposição genética: A relação entre autismo e superdotação

Existe sim uma conexão entre uma predisposição elevada ao autismo e uma predisposição elevada para superdotação, já comprovada por diversos estudos.

por Redação CPAH

Por Dr. Fabiano de Abreu Agrela

O autismo e a superdotação são condições bastante diferentes, mas que por muitas vezes são fortemente associados, no entanto, apesar de estudos já indicarem uma conexão genética entre ambos, ainda existe muita discussão sobre a forma como essa relação se manifesta.

Existe sim uma conexão entre uma predisposição elevada ao autismo e uma predisposição elevada para superdotação, já comprovada por diversos estudos. Essa relação decorre da investigação dos genes envolvidos no desenvolvimento das condições, que podem ser compartilhados.

No entanto, essa conexão não implica que pessoas superdotadas sejam necessariamente autistas, ou vice-versa. Isso porque os genes e variantes associados ao autismo e à superdotação são muitos, podendo haver semelhanças em alguns, mas podendo haver diferenças em vários outros, que também devem ser considerados nessa análise.

O autismo e a inteligência estão geneticamente correlacionados entre si, o que indica uma base genética, até certo ponto, partilhada, assim como associações fenotípicas, entre outras características. Esses padrões indicam que a predisposição de autismo é modulada em parte por componentes em destaque, mas também em desequilíbrio, como a inteligência.

Alguns achados recentes sugerem correlações genéticas entre autismo e inteligência elevada através da sobreposição dos alelos autistas aos da inteligência. A hipótese é que o autismo envolve componentes desequilibrados de uma inteligência mais desenvolvida. 

Justamente pela complexidade quase paradoxal da compreensão das duas condições é importante que cada vez mais estudos se debrucem sobre a análise da genética por trás do autismo e da superdotação para chegar a conclusões mais efetivas sobre os limites e a interação dessa conexão.

REFERÊNCIAS:

AUTISM As a Disorder of High Intelligence. Frontiers in Neuroscience, [s. l.], 2016. DOI 10.3389/fnins.2016.00300. Disponível em: https://www.researchgate.net/figure/Autism-and-intelligence-are-genetically-correlated-with-one-another-indicative-of-a_fig3_304619662. Acesso em: 18 jan. 2024.

Sobre Dr. Fabiano de Abreu Agrela

Dr. Fabiano de Abreu Agrela é Pós PhD em Neurociências e biólogo membro das principais sociedades científicas como SFN – Society for Neuroscience nos Estados Unidos, Sigma XI, sociedade científica onde os membros precisam ser convidados e que conta com mais de 200 prémios Nobel e a RSB – Royal Society of Biology, maior sociedade de biologia sediada no Reuno Unido. É membro de 10 sociedades de alto QI, entre elas a Mensa, Intertel, ISPE, Triple Nine Society, coordenador Intertel Brazil, diretor internacional da IIS Society e presidente da ISI e ePiq society, todas sociedades restritas para pessoas com alto QI comprovados em testes supervisionados. Criou o primeiro relatório genético que estima a pontuação de QI através de teste de DNA e o projeto GIP – Genetic Intelligence Project com estudos genéticos e psicológicos sobre alto QI com voluntários. Autor de mais de 50 estudos sobre inteligência, foi voluntário em testes de QI supervisionados, testes genéticos de inteligência e estudo de neuroimagem já que atingiu a pontuação máxima em mais de um teste de QI em mais de um país corroborando com os demais resultados genéticos e de neuroimagem.

Alguns destaques

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