Home OpiniãoO Uso Terapêutico da Melatonina: Uma Análise da Eficácia e Segurança no Manejo da Insônia Crônica

O Uso Terapêutico da Melatonina: Uma Análise da Eficácia e Segurança no Manejo da Insônia Crônica

by Redação CPAH

A insônia é consolidada na literatura médica como um distúrbio do sono multifatorial, caracterizado pela dificuldade persistente em iniciar ou manter o sono, ou pela presença de um despertar precoce com incapacidade de retorno ao estado de repouso. Esse quadro clínico não se limita ao período noturno, repercutindo em prejuízos diurnos significativos, como fadiga, irritabilidade, déficits cognitivos e comprometimento da qualidade de vida global. De acordo com Pereira e Grott (2026), no cenário das intervenções terapêuticas, a melatonina exógena — um hormônio indolaminérgico sintetizado primariamente pela glândula pineal — tem emergido como uma alternativa farmacológica promissora. Sua principal função fisiológica reside na regulação do ciclo circadiano e na sinalização da “noite biológica” ao organismo. A suplementação com melatonina apresenta-se como uma estratégia eficaz para a resincronização do ritmo biológico, especialmente em indivíduos que apresentam secreção endógena deficitária ou atrasada.

A eficácia clínica da melatonina manifesta-se predominantemente na redução da latência do início do sono (o tempo necessário para adormecer) e no aumento da eficiência e duração total do período de descanso. Diferente dos hipnóticos e sedativos tradicionais, como os benzodiazepínicos, a melatonina não induz dependência química ou tolerância significativa, o que a torna uma opção de escolha para o manejo de longo prazo. Segundo Pereira e Grott (2026), estudos demonstram que a administração de melatonina em doses terapêuticas (variando de 2 mg a 5 mg, frequentemente em formulações de liberação prolongada) é particularmente benéfica para a população idosa. Nesta faixa etária, a calcificação progressiva da glândula pineal resulta em uma redução natural da produção de melatonina, contribuindo para a fragmentação do sono. A reposição exógena auxilia na restauração da arquitetura do sono, promovendo um despertar mais restaurador sem os efeitos residuais de “ressaca” ou sedação matinal excessiva comuns a outros fármacos.

A segurança do uso da melatonina é um dos seus atributos mais robustos, com um perfil de efeitos adversos considerado baixo e geralmente transitório, incluindo cefaleia leve, tontura ou sonolência diurna em casos de dosagem inadequada. No entanto, é imperativo ressaltar que a eficácia da melatonina é dependente da etiologia da insônia; sua performance é otimizada quando o distúrbio está relacionado a alterações do ritmo circadiano ou deficiências hormonais. Conforme discutido por Pereira e Grott (2026), embora seja amplamente disponível e bem tolerada, a suplementação deve ser orientada por profissionais de saúde para ajustar a posologia e o tempo de administração às necessidades específicas do paciente. Em suma, a melatonina representa um avanço significativo na medicina do sono, oferecendo uma via de tratamento que respeita a fisiologia humana e promove a saúde mental e física através da restauração do equilíbrio circadiano.

Referência (ABNT):

PEREIRA, Eliziane de Sousa; GROTT, Suelen Cristina. Uso terapêutico da melatonina no tratamento da insônia. CPAH Science Journal of Health, Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, p. 01-17, 2026. DOI: 10.56238/cpahjournalv9n1-001.

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