O período da adolescência é marcado por profundas transformações biopsicossociais, configurando uma janela de vulnerabilidade para o desenvolvimento de transtornos mentais, entre os quais a depressão se destaca pela magnitude de seu impacto global. Estudos epidemiológicos recentes indicam que a prevalência de sintomas depressivos em adolescentes pode atingir níveis alarmantes, chegando a 28,5% em certas populações, o que reforça a necessidade de identificar precocemente os fatores de risco associados para mitigar desfechos desfavoráveis, como o isolamento social, o declínio no rendimento acadêmico e o risco de suicídio. A compreensão dessa patologia exige uma análise que transcende o estado emocional, adentrando em variáveis sociodemográficas e dinâmicas familiares que moldam o bem-estar mental do jovem. (Referência: Candrarukmi D, Hartanto F, Wibowo T, Nugroho HW, Anam MS, Indraswari BW, et al. Risk factors for depression symptoms in adolescents: a population-based study. Saudi Med J. 2024;45(5):486-493. doi: 10.15537/smj.2024.45.5.20230784)
A disparidade de gênero surge como um dos preditores mais consistentes na literatura científica. Dados indicam que adolescentes do sexo feminino apresentam uma vulnerabilidade significativamente maior ao desenvolvimento de sintomas depressivos em comparação aos indivíduos do sexo masculino. Essa diferenciação é frequentemente atribuída a uma combinação de flutuações hormonais típicas da puberdade, maior reatividade a estressores interpessoais e pressões socioculturais distintas. Além do gênero, o nível educacional do adolescente também atua como um fator determinante; jovens que cursam o ensino médio demonstram uma propensão elevada aos sintomas em relação aos que estão no ensino fundamental, possivelmente devido ao incremento nas demandas acadêmicas e incertezas quanto ao futuro profissional. (Referência: Candrarukmi D, Hartanto F, Wibowo T, Nugroho HW, Anam MS, Indraswari BW, et al. Risk factors for depression symptoms in adolescents: a population-based study. Saudi Med J. 2024;45(5):486-493. doi: 10.15537/smj.2024.45.5.20230784)
A estrutura e a dinâmica familiar exercem um papel central na modulação da saúde mental na adolescência. A ausência de coabitação com o pai biológico, bem como viver sob os cuidados de tutores não parentais, está fortemente correlacionada ao aumento da incidência de sintomas depressivos. A estabilidade do núcleo familiar provê o suporte emocional e a segurança necessários para que o adolescente navegue pelas crises de identidade típicas da fase. Quando esse suporte é fragilizado por arranjos familiares alternativos ou pela ausência de figuras parentais primárias, o jovem torna-se mais suscetível a sentimentos de desamparo e desregulação emocional, componentes centrais do quadro depressivo. (Referência: Candrarukmi D, Hartanto F, Wibowo T, Nugroho HW, Anam MS, Indraswari BW, et al. Risk factors for depression symptoms in adolescents: a population-based study. Saudi Med J. 2024;45(5):486-493. doi: 10.15537/smj.2024.45.5.20230784)
Outro aspecto relevante diz respeito ao status socioeconômico e ocupacional dos genitores, particularmente a ocupação materna. Adolescentes cujas mães trabalham como donas de casa ou em setores de mão de obra braçal/informal (como agricultura e comércio autônomo) apresentam maior risco de desenvolver sintomas depressivos. Esse fenômeno pode ser explicado pelo estresse financeiro familiar e pela limitada disponibilidade de recursos para atividades de lazer ou suporte especializado. A ocupação materna, portanto, funciona como um marcador indireto de estabilidade econômica e acesso a capital cultural, elementos que atuam como fatores de proteção contra a psicopatologia. (Referência: Candrarukmi D, Hartanto F, Wibowo T, Nugroho HW, Anam MS, Indraswari BW, et al. Risk factors for depression symptoms in adolescents: a population-based study. Saudi Med J. 2024;45(5):486-493. doi: 10.15537/smj.2024.45.5.20230784)
Em conclusão, a depressão na adolescência não é um fenômeno isolado, mas o resultado de uma intrincada rede de fatores de risco que incluem o gênero feminino, o avanço na escolaridade, configurações familiares não tradicionais e contextos socioeconômicos vulneráveis. O reconhecimento dessas variáveis é fundamental para a elaboração de políticas públicas e intervenções clínicas que visem não apenas o tratamento, mas a prevenção primária. Estratégias que fortaleçam os vínculos familiares e forneçam suporte específico para adolescentes em transição acadêmica são essenciais para reduzir a carga global desta doença e promover um desenvolvimento saudável. (Referência: Candrarukmi D, Hartanto F, Wibowo T, Nugroho HW, Anam MS, Indraswari BW, et al. Risk factors for depression symptoms in adolescents: a population-based study. Saudi Med J. 2024;45(5):486-493. doi: 10.15537/smj.2024.45.5.20230784)
Referência (ABNT):
CANDRARUKMI, Dewinda et al. Risk factors for depression symptoms in adolescents: a population-based study. Saudi Medical Journal, [s. l.], v. 45, n. 5, p. 486-493, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.15537/smj.2024.45.5.20230784. Acesso em: 02 maio 2026.