A depressão na adolescência é uma patologia emocional de gravidade elevada, caracterizada por altos índices de incidência, incapacidade e mortalidade, comprometendo severamente a saúde mental global. Dados epidemiológicos recentes indicam que cerca de um em cada sete jovens entre 10 e 19 anos vivencia algum transtorno mental, o que representa 13% da carga global de doenças nesta faixa etária. Estima-se que um em cada cinco crianças e adolescentes em todo o mundo sofra de depressão ou sintomas depressivos, uma proporção que tem demonstrado crescimento progressivo ao longo do tempo. Este cenário foi significativamente agravado pela pandemia de COVID-19, que resultou em um aumento de 25% na incidência de ansiedade e depressão, superando as previsões estatísticas anteriores e intensificando as desigualdades em saúde. (Referência: Yin C, Xu M, Zong Z. Advances in the prevalence and treatment of depression for adolescents: a review. Front Pharmacol. 2025;16:1574574. doi: 10.3389/fphar.2025.1574574)
A etiologia do transtorno depressivo em adolescentes é reconhecidamente multifatorial, envolvendo uma interação complexa entre predisposição genética, fatores biológicos e influências ambientais. No campo da genética, variantes em genes como o 5-HTTLPR (relacionado ao sistema de serotonina) e o BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro) têm sido associadas a um maior risco de depressão e ideação suicida, especialmente quando associadas a traumas na infância. Além disso, desequilíbrios em neurotransmissores como a dopamina e a noradrenalina, bem como a desregulação do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA), são mecanismos centrais na patogênese da doença. Estressores psicológicos, como a alta pressão acadêmica, bullying e o isolamento social decorrente de fechamentos de escolas durante a crise sanitária, exacerbam essa vulnerabilidade. (Referência: Yin C, Xu M, Zong Z. Advances in the prevalence and treatment of depression for adolescents: a review. Front Pharmacol. 2025;16:1574574. doi: 10.3389/fphar.2025.1574574)
O manejo clínico da depressão infantojuvenil preconiza, prioritariamente, abordagens não farmacológicas para casos leves a moderados, sendo a psicoterapia considerada a intervenção de primeira linha devido à sua eficácia e ausência de riscos de efeitos colaterais graves ou suicídio. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia Interpessoal para Adolescentes (TIP-A) são as modalidades com maior suporte de evidências, sendo a TCC capaz de reduzir o risco de depressão em até 63% como medida preventiva. Em quadros moderados a graves, ou naqueles resistentes ao tratamento inicial, a combinação de psicoterapia com antidepressivos — como os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) — apresenta benefícios superiores, embora exija monitoramento rigoroso devido ao risco potencial de aumento de comportamentos relacionados ao suicídio durante as fases iniciais da terapia medicamentosa. (Referência: Yin C, Xu M, Zong Z. Advances in the prevalence and treatment of depression for adolescents: a review. Front Pharmacol. 2025;16:1574574. doi: 10.3389/fphar.2025.1574574)
Conclui-se que a natureza recorrente e o impacto profundo da depressão no desenvolvimento juvenil exigem uma resposta integrada que envolva escolas, famílias e sistemas de saúde primária. O foco deve residir no rastreio precoce e na gestão multidisciplinar (cuidado integrativo), visando não apenas a remissão dos sintomas, mas a prevenção de recaídas e a mitigação de prejuízos funcionais que podem se estender à vida adulta. A busca por novos alvos terapêuticos e a melhoria da segurança dos tratamentos atuais permanecem como os principais objetivos da pesquisa clínica contemporânea para salvaguardar o bem-estar das gerações futuras. (Referência: Yin C, Xu M, Zong Z. Advances in the prevalence and treatment of depression for adolescents: a review. Front Pharmacol. 2025;16:1574574. doi: 10.3389/fphar.2025.1574574)
Referência (ABNT):
YIN, Chunyu; XU, Mengting; ZONG, Zhiyuan. Advances in the prevalence and treatment of depression for adolescents: a review. Frontiers in Pharmacology, [s. l.], v. 16, n. 1574574, p. 1-15, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.3389/fphar.2025.1574574. Acesso em: 02 maio 2026.