A dinâmica do ensino superior contemporâneo, fortemente influenciada pelos fluxos da globalização, pela emergência da sociedade do conhecimento e pelas novas demandas do setor industrial, exige das Instituições de Ensino Superior (IES) uma reconfiguração de suas práticas pedagógicas e administrativas. Nesse cenário, a formação acadêmica transcendeu a mera transmissão técnico-científica, demandando o desenvolvimento de competências integradas que combinem ética, responsabilidade social, humanismo e resiliência. Frente a esse ecossistema de alta complexidade, a tutoria desponta não apenas como um apêndice funcional, mas como uma estratégia institucional orgânica e indispensável para mediar o percurso do estudante, assegurar o alinhamento curricular e combater indicadores críticos que fragilizam o sistema educacional, tais como a reprovação sistemática e a deserção escolar.
Para que a ação tutorial atinja os objetivos programáticos estabelecidos pelas políticas institucionais, a definição do perfil do tutor constitui um eixo estruturante. O exercício dessa função requer um profissional que decline do modelo tradicional de centralização magistral para assumir o papel de facilitador e orientador do aprendizado. Sob a perspectiva psicopedagógica, o tutor ideal deve harmonizar competências de duas ordens distintas, mas complementares: as competências intelectuais — que envolvem o domínio do campo epistêmico, a capacidade de diagnóstico acadêmico e o manejo de metodologias ativas — e as competências socioafetivas e de comunicação. Habilidades como escuta ativa, empatia, assertividade e inteligência emocional são determinantes para decodificar as vulnerabilidades do corpo discente, permitindo construir canais de diálogo que estimulem a autonomia, a autoconfiança e o engajamento do graduando com sua própria trajetória formativa.
Ademais, a implementação da tutoria como ferramenta de desenvolvimento acadêmico enfrenta desafios operacionais e estruturais significativos no interior das IES. A eficácia dos programas de acompanhamento depende intimamente da institucionalização de processos de capacitação continuada para os docentes-tutores, fornecendo-lhes subsídios teóricos e práticos para lidar com a heterogeneidade e as crises multidimensionais que afetam o estudante universitário moderno. Quando articulada de forma sinérgica com os núcleos de apoio psicopedagógico e as coordenações de curso, a tutoria atua de maneira preventiva e preditiva. Ao mapear precocemente as lacunas de aprendizagem e os fatores socioeconômicos ou emocionais de risco, o tutor viabiliza intervenções pedagógicas customizadas, consolidando-se como um vetor de inclusão, equidade e excelência acadêmica, essencial para elevar os índices de diplomação e o sucesso institucional.
Referência (Formato ABNT):
GARCÍA MENDOZA, Maureen Elizabeth; VILLA GARCÍA, Rosa María; REYES CÁZARES, Marcial. Profile of the tutor in higher education institutions as a strategy in academic development. Open Minds International Journal, v. 1, n. 1, art. 9, p. 1-2, ago. 2025. ISSN 2675-5157. DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.5157125230079.