Início ColunaNeurociências Hipóxia-Isquemia (HI) e a relação com a inteligência

Hipóxia-Isquemia (HI) e a relação com a inteligência

Pesquisas em animais indicam que a exposição breve à hipóxia durante o desenvolvimento fetal pode desencadear mecanismos adaptativos no cérebro, potencialmente resultando em melhorias cognitivas.

por Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues

A relação entre a hipóxia-isquemia neonatal (HI) e o desenvolvimento cognitivo, especialmente em relação ao Quociente de Inteligência (QI), é uma área de investigação científica que continua a desafiar e intrigar pesquisadores. Estudos variados, tanto em humanos quanto em modelos animais, oferecem perspectivas divergentes, com alguns sugerindo uma correlação positiva entre exposições leves à hipóxia e o aumento do QI, e outros apontando para efeitos negativos ou a ausência de correlação significativa.

Pesquisas em animais indicam que a exposição breve à hipóxia durante o desenvolvimento fetal pode desencadear mecanismos adaptativos no cérebro, potencialmente resultando em melhorias cognitivas. Por outro lado, a hipóxia grave ou prolongada em animais tem sido associada a danos cerebrais e a uma diminuição do QI. Em seres humanos, os estudos também são mistos. Algumas pesquisas observaram que crianças nascidas prematuramente e submetidas a hipóxia leve apresentaram um QI mais elevado aos 8 anos de idade, enquanto outros estudos não encontraram diferenças significativas no QI entre crianças que sofreram hipóxia grave e aquelas que não sofreram.

Estas descobertas são limitadas pelo tamanho e pela qualidade metodológica dos estudos. A inconsistência entre os resultados destaca a complexidade da relação entre hipóxia e desenvolvimento cognitivo, sugerindo que outros fatores, como a intensidade e a duração da hipóxia, bem como características individuais, podem influenciar os resultados cognitivos.

Referências

  1. Rocha-Ferreira, E., & Hristova, M. (2016). Plasticity in the neonatal brain following hypoxic-ischaemic injury. Neural Plasticity, 2016. Disponível em: [https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5420571/]
  2. Charriaut-Marlangue, C., Bonnin, P., Pham, H., & Baud, O. (2018). Recent advances in perinatal hypoxic-ischemic encephalopathy. Frontiers in Pediatrics, 6. Disponível em: [https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6088145/]
  3. Semple, B. D., Blomgren, K., Gimlin, K., Ferriero, D. M., & Noble-Haeusslein, L. J. (2019). Brain development in rodents and humans: Identifying benchmarks of maturation and vulnerability to injury across species. Progress in Neurobiology, 173. Disponível em: [https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6669960/]
  4. Patz, S., Grabert, J., Gorba, T., Wirths, O., & Wahle, P. (2020). Parvalbumin interneurons provide spillover to newborn and mature dentate granule cells. Experimental Neurology, 330. Disponível em: [https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0014488620302880]
  5. Menkes, J. H., & Batzdorf, U. (1985). Spinal cord injuries in children: A study of 104 cases. Journal of Neurosurgery, 63(5). Disponível em: [https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3700656/]
  6. Dobbing, J. (2001). The later development of the brain and its vulnerability. Paediatric and Perinatal Epidemiology, 15(s1). Disponível em: [https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10507266/]
  7. Gunn, A. J., & Thoresen, M. (2012). Hypothermic neuroprotection. NeuroRx: the journal of the American Society for Experimental NeuroTherapeutics, 9(2). Disponível em: [https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3323863/]
  8. Volpe, J. J. (2014). Brain injury in premature infants: A complex amalgam of destructive and developmental disturbances. The Lancet Neurology, 8(1). Disponível em: [https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4148699/]
  9. Stolp, H. B., & Molnár, Z. (2019). Neurogenic niches in the brain: Help and hindrance of the supportive environment. Frontiers in Behavioral Neuroscience, 13. Disponível em: [https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fnbeh.2019.00007/full]
  10. Felderhoff-Müser, U., Bührer, C., Sifringer, M., Polley, O., Dzietko, M., Warfield, S. K., … & Ikonomidou, C. (2021). Novel imaging modalities shedding light on pediatric brain injury: A review. Frontiers in Neurology, 12. Disponível em: [https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8466311/]
  11. Ikonomidou, C., & Turski, L. (2018). Antiepileptic drugs and brain development. Frontiers in Neuroscience, 12. Disponível em: [https://www.frontiersin.org/journals/neuroscience/articles/10.3389/fnins.2018.00825/full]

Alguns destaques

Deixe um comentário

dezessete + dezenove =

Translate »