Estudo internacional compara QI médio e desempenho escolar entre países e territórios

Kateryna Hliznitsova Para Unsplash+

Um estudo publicado em 2011 no The Journal of Social, Political and Economic Studies reuniu dados de inteligência e desempenho escolar de dezenas de países para investigar até que ponto essas medidas poderiam representar diferentes formas de “capital humano cognitivo”.

O artigo, intitulado “Intelligence: A Measure of Human Capital in Nations”, foi assinado por Gerhard Meisenberg, da Ross University School of Medicine, e Richard Lynn, da University of Ulster, em Coleraine.

Os autores analisaram duas grandes fontes de informação: resultados de testes de QI e resultados de avaliações escolares internacionais, sobretudo PISA e TIMSS. A proposta central foi verificar a relação entre essas duas medidas e, posteriormente, combiná-las num indicador composto de “capital humano”.

Como o estudo foi realizado

Para o componente de desempenho escolar, os investigadores recorreram principalmente ao TIMSS — Trends in International Mathematics and Science Study e ao PISA — Programme for International Student Assessment. Também foram utilizados outros exames internacionais e regionais quando um país não possuía resultados suficientes nessas duas avaliações principais.

Os resultados de Matemática, Ciências e Leitura foram harmonizados estatisticamente para permitir comparações entre diferentes avaliações e anos. Os autores também introduziram ajustes destinados a considerar diferenças na proporção de crianças efetivamente matriculadas na escola em cada país.

Para os dados de inteligência, o estudo utilizou compilações anteriores de QI nacional, sobretudo os trabalhos de Richard Lynn e Tatu Vanhanen, acrescidos de atualizações posteriores. Segundo o artigo, existiam resultados de QI medido para 136 países.

A qualidade dos dados de QI não era considerada igual para todos os países. Os autores criaram uma pontuação de qualidade, chamada IQq, baseada no número de estudos independentes disponíveis e no tamanho total das amostras. Países com mais estudos e amostras maiores receberam pontuações de qualidade mais elevadas.

QI e desempenho escolar apresentaram forte associação

Entre os 99 países para os quais existiam simultaneamente dados de QI e de desempenho escolar, a correlação entre as duas medidas foi de 0,889.

Segundo os autores, esse resultado indicava que os testes de inteligência e as avaliações de desempenho escolar estavam a medir dimensões fortemente relacionadas da capacidade cognitiva no nível nacional.

O estudo construiu depois uma medida de Human Capital, ou “capital humano”, combinando o QI com o desempenho escolar e atribuindo maior peso às informações consideradas de melhor qualidade. Quando apenas uma das duas medidas estava disponível, essa medida foi utilizada isoladamente para formar o índice.

É importante, portanto, distinguir QI de Human Capital. Eles não são a mesma variável.

Relações encontradas com indicadores económicos e sociais

No conjunto de países analisado, o QI nacional apresentou correlação positiva com diversas medidas de desenvolvimento. Entre os resultados relatados no estudo estavam:

  • educação: r = 0,757;
  • PIB per capita em escala logarítmica: r = 0,745;
  • crescimento económico: r = 0,426;
  • esperança de vida: r = 0,838;
  • democracia: r = 0,684.

Foram observadas correlações negativas com mortalidade infantil, desigualdade de rendimento, taxa de fertilidade e religiosidade.

Essas associações devem ser interpretadas como correlações entre países, e não como prova de que uma variável seja necessariamente a causa da outra.

Limitações reconhecidas pelo próprio artigo

O próprio estudo alerta que a qualidade das estimativas nacionais de QI varia consideravelmente.

Em determinados países, os testes tinham sido aplicados a grandes amostras representativas da população. Em outros, os resultados provinham de amostras de conveniência, que poderiam ou não representar adequadamente o conjunto da população nacional.

Além disso, os dados utilizados provinham de estudos realizados em diferentes anos, com instrumentos distintos e amostras de tamanhos variados. Por isso, os números devem ser entendidos como estimativas produzidas pelo conjunto de dados utilizado pelos autores, e não como valores imutáveis ou definitivos sobre as populações atuais.

Lista completa dos valores de QI apresentados no estudo

A relação abaixo reproduz a coluna “IQ” do apêndice do artigo. Não foram convertidos em QI os valores pertencentes apenas às colunas de desempenho escolar ou “Human Capital”.

A–C

  • Argentina — 96,0
  • Arménia — 92,0
  • Austrália — 98,0
  • Áustria — 99,5
  • Bahrein — 81,0
  • Bangladesh — 81,0
  • Barbados — 80,0
  • Bélgica — 99,0
  • Bermudas — 90,0
  • Bolívia — 87,0
  • Bósnia — 94,0
  • Botsuana — 72,15
  • Brasil — 87,0
  • Bulgária — 92,5
  • Camarões — 64,0
  • Canadá — 100,0
  • República Centro-Africana — 64,0
  • Chile — 91,0
  • China — 105,5
  • Hong Kong — 108,0
  • Tibete — 92,0
  • Colômbia — 83,5
  • Congo (Brazzaville) — 73,0
  • Congo (Kinshasa) — 68,0
  • Ilhas Cook — 89,0
  • Costa Rica — 86,0
  • Costa do Marfim — 71,0
  • Croácia — 99,0
  • Cuba — 85,0

Os valores constam das páginas iniciais do apêndice, nas quais o artigo separa explicitamente desempenho escolar, QI, qualidade do QI e capital humano.

D–H

  • República Checa — 98,0
  • Dinamarca — 98,0
  • Dominica — 73,0
  • República Dominicana — 82,0
  • Equador — 88,0
  • Egito — 81,0
  • Eritreia — 75,5
  • Estónia — 99,0
  • Etiópia — 68,5
  • Fiji — 85,0
  • Finlândia — 97,0
  • França — 98,0
  • Gâmbia — 62,0
  • Alemanha — 99,0
  • Gana — 70,0
  • Grécia — 92,0
  • Guatemala — 79,0
  • Guiné — 66,5
  • Honduras — 81,0
  • Hungria — 96,5

I–M

  • Islândia — 101,0
  • Índia — 82,0
  • Indonésia — 87,0
  • Irão — 83,5
  • Iraque — 87,0
  • Irlanda — 92,5
  • Israel — 95,0
  • Itália — 97,0
  • Jamaica — 71,0
  • Japão — 105,0
  • Jordânia — 84,0
  • Quénia — 74,0
  • Coreia do Sul — 106,0
  • Kuwait — 86,5
  • Laos — 89,0
  • Líbano — 82,0
  • Líbia — 84,6
  • Lituânia — 92,0
  • Madagascar — 82,0
  • Malawi — 60,0
  • Malásia — 88,5
  • Mali — 69,5
  • Malta — 97,0
  • Ilhas Marianas — 81,0
  • Ilhas Marshall — 84,0
  • Maurícia — 89,0
  • México — 88,0
  • Mongólia — 100,0
  • Marrocos — 84,0
  • Moçambique — 64,0

N–R

  • Namíbia — 72,0
  • Nepal — 78,0
  • Países Baixos — 100,0
  • Antilhas Holandesas — 87,0
  • Nova Caledónia — 85,0
  • Nova Zelândia — 99,0
  • Nigéria — 71,0
  • Noruega — 100,0
  • Omã — 84,5
  • Paquistão — 84,0
  • Palestina — 86,0
  • Papua-Nova Guiné — 82,5
  • Paraguai — 84,0
  • Peru — 85,0
  • Filipinas — 90,0
  • Polónia — 95,0
  • Portugal — 94,5
  • Porto Rico — 83,5
  • Catar — 83,0
  • Roménia — 91,0
  • Rússia — 96,5
  • Ruanda — 76,0

S–Z

  • Santa Lúcia — 62,0
  • São Vicente — 71,0
  • Samoa Ocidental — 88,0
  • Arábia Saudita — 79,0
  • Senegal — 70,5
  • Sérvia e Montenegro — 88,5
  • Serra Leoa — 64,0
  • Singapura — 108,5
  • Eslováquia — 98,0
  • Eslovénia — 96,0
  • África do Sul — 72,0
  • Espanha — 97,0
  • Sri Lanka — 79,0
  • Sudão — 77,5
  • Suriname — 89,0
  • Suécia — 99,0
  • Suíça — 101,0
  • Síria — 80,5
  • Taiwan — 105,0
  • Tanzânia — 72,5
  • Tailândia — 88,0
  • Tonga — 86,0
  • Tunísia — 84,0
  • Turquia — 88,5
  • Uganda — 72,0
  • Ucrânia — 95,0
  • Emirados Árabes Unidos — 83,0
  • Reino Unido — 100,0
  • Inglaterra — 101,0
  • Escócia — 97,0
  • Estados Unidos — 98,0
  • Uruguai — 96,0
  • Venezuela — 84,0
  • Vietname — 94,0
  • Iémen — 83,0
  • Zâmbia — 75,0
  • Zimbabué — 71,5

Países e territórios para os quais o artigo não apresenta QI direto

O apêndice contém ainda várias entradas para as quais não existe um valor na coluna IQ. Em alguns casos, há apenas desempenho escolar; em outros, aparece uma estimativa de “Human Capital”, frequentemente entre parênteses.

Esses valores não devem ser apresentados como QI.

Entre essas entradas estão:

  • Afeganistão
  • Albânia
  • Argélia
  • Andorra
  • Angola
  • Azerbaijão
  • Bahamas
  • Bielorrússia
  • Belize
  • Benim
  • Butão
  • Brunei
  • Burkina Faso
  • Burundi
  • Camboja
  • Cabo Verde
  • Chade
  • Macau
  • Comores
  • Chipre
  • Djibuti
  • Timor-Leste
  • El Salvador
  • Guiné Equatorial
  • Gabão
  • Geórgia
  • Guiné-Bissau
  • Guiana
  • Haiti
  • Cazaquistão
  • Quirguistão
  • Letónia
  • Lesoto
  • Libéria
  • Liechtenstein
  • Luxemburgo
  • Macedónia
  • Maldivas
  • Mauritânia
  • Micronésia
  • Moldávia
  • Montenegro
  • Myanmar
  • Nicarágua
  • Níger
  • Panamá
  • São Tomé e Príncipe
  • Seicheles
  • Ilhas Salomão
  • Somália
  • Essuatíni, então denominado Swaziland
  • Tajiquistão
  • Zanzibar
  • Togo
  • Trinidad e Tobago
  • Turquemenistão
  • Irlanda do Norte
  • Uzbequistão
  • Vanuatu

O próprio apêndice informa que os números colocados entre parênteses na coluna de Human Capital correspondem a estimativas.

Os autores afirmam que estimaram resultados para 28 países e territórios adicionais, utilizando países vizinhos considerados semelhantes em termos de população, cultura e desenvolvimento económico.

Os maiores valores de QI no conjunto de dados

Considerando estritamente a coluna IQ do artigo, os maiores valores são:

  1. Singapura — 108,5
  2. Hong Kong — 108,0
  3. Coreia do Sul — 106,0
  4. China — 105,5
  5. Japão — 105,0
  6. Taiwan — 105,0
  7. Inglaterra — 101,0
  8. Islândia — 101,0
  9. Suíça — 101,0
  10. Canadá, Mongólia, Países Baixos, Noruega e Reino Unido — 100,0

Brasil, Portugal e Estados Unidos

No conjunto de dados utilizado pelos autores:

  • Brasil: QI 87,0
  • Portugal: QI 94,5
  • Estados Unidos: QI 98,0

O Brasil aparece no artigo com desempenho escolar de 403,4 pontos, QI de 87,0 e índice composto de capital humano de 86,0.

Portugal aparece com desempenho escolar de 487,0, QI de 94,5 e capital humano de 94,5.

Os Estados Unidos aparecem com desempenho escolar de 512,4, QI de 98,0 e capital humano de 97,7.

O que os resultados significam — e o que não significam

Os resultados representam médias nacionais estimadas a partir das fontes selecionadas pelos autores. Eles não permitem concluir que todos os indivíduos de um país tenham capacidades semelhantes, nem permitem inferir a inteligência de uma pessoa a partir da sua nacionalidade.

Também não devem ser interpretados como uma classificação definitiva das populações atuais. O artigo foi publicado em 2011, e grande parte dos dados de QI utilizados foi recolhida ainda antes desse período.

A contribuição principal do trabalho está na tentativa de integrar diferentes fontes de informação cognitiva e demonstrar que, nesse conjunto de dados, QI nacional e desempenho escolar internacional apresentavam uma associação estatística muito elevada.

Ao mesmo tempo, a heterogeneidade das amostras, das épocas de recolha, dos testes utilizados e da qualidade dos dados torna necessária uma leitura cuidadosa dos valores individuais de cada país.

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