Início ColunaNeurociênciasA Sociedade Brasileira no Circuito das Personalidades Dramáticas: Entre Ansiedade, Narcisismo e Disfunção Neuropsicológica

A Sociedade Brasileira no Circuito das Personalidades Dramáticas: Entre Ansiedade, Narcisismo e Disfunção Neuropsicológica

Conforme argumentado por Abreu Rodrigues (2021), a cultura atual, baseada na valorização da aparência, da popularidade digital e da constante busca por recompensas imediatas, tem alimentado comportamentos que extrapolam o campo das neuroses comuns, configurando quadros clínicos próximos aos transtornos de personalidade histriônica (TPH), narcisista (TPN), borderline (TPB), limítrofe (TPL) e antissocial (TPAS).

por Redação CPAH

A contemporaneidade brasileira encontra-se imersa em um panorama psíquico marcado por distúrbios de personalidade de natureza dramática, refletindo uma sociedade cada vez mais disfuncional em termos emocionais, relacionais e cognitivos. Conforme argumentado por Abreu Rodrigues (2021), a cultura atual, baseada na valorização da aparência, da popularidade digital e da constante busca por recompensas imediatas, tem alimentado comportamentos que extrapolam o campo das neuroses comuns, configurando quadros clínicos próximos aos transtornos de personalidade histriônica (TPH), narcisista (TPN), borderline (TPB), limítrofe (TPL) e antissocial (TPAS).

O ponto central da análise reside na articulação entre cultura, biologia e instinto. Segundo o autor, o comportamento social brasileiro atual está imerso em uma dinâmica circular de ansiedade e necessidade de recompensa. Essa ansiedade — a mais prevalente do mundo, conforme dados da OMS — estaria relacionada à hiperatividade do eixo hipotalâmico-hipofisário-adrenal (HHA), desencadeando liberação crônica de cortisol e subsequente sobrecarga de estruturas como a amígdala e o hipocampo, comprometendo funções de memória e regulação emocional. A perpetuação dessa hiperatividade afetiva conduz a uma tendência de exagero emocional, marcada por comportamentos impulsivos, incoerentes e, muitas vezes, antissociais (Abreu Rodrigues, 2021).

Na esfera neuroquímica, destacam-se os papéis centrais da serotonina, dopamina e GABA na modulação dos estados emocionais. A serotonina, com seu duplo papel — ansiogênico na amígdala e ansiolítico na matéria cinzenta periaquedutal — mostra-se como um modulador essencial na dinâmica do medo e da defesa. Já o GABA, principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central, mostra-se fundamental para os efeitos ansiolíticos promovidos por benzodiazepínicos e outros fármacos. A dopamina, por sua vez, destaca-se como mediadora do sistema de recompensa e prazer, e sua liberação — inclusive em contextos de validação social digital — se associa ao reforço de condutas narcisistas e histriônicas (Abreu Rodrigues, 2021).

Em termos neurofuncionais, o artigo salienta que alterações estruturais e funcionais em regiões como o córtex pré-frontal, amígdala e hipocampo estão diretamente associadas aos transtornos dramáticos de personalidade. Por exemplo, indivíduos com transtorno borderline apresentam amígdalas hiperativas e hipocampos desregulados, o que compromete a leitura adequada do ambiente e exacerba reações emocionais. Ao mesmo tempo, a inatividade funcional do córtex pré-frontal reduz a capacidade de regulação racional, favorecendo impulsividade, distorção cognitiva e comportamento desadaptativo — evidenciando uma espécie de “sono da razão” que abre espaço para manifestações emocionais exacerbadas (Abreu Rodrigues, 2021).

Um ponto de destaque na análise é a consideração de que tais comportamentos, embora não necessariamente originados por fatores genéticos, podem deixar “rastros epigenéticos” e influenciar gerações futuras. Isso porque a exposição contínua a ambientes estressantes, aliada a padrões comportamentais disfuncionais, pode afetar não apenas a saúde mental dos indivíduos, mas também sua programação neurobiológica, em um processo de retroalimentação entre sociedade, cultura e neurofisiologia (Abreu Rodrigues, 2021).

Portanto, o artigo propõe uma reflexão importante: estamos diante de uma sociedade cuja cultura promove distorções do comportamento emocional e racional que se aproximam de quadros clínicos patológicos, afetando não apenas o bem-estar individual, mas a saúde coletiva. A proposta terapêutica defendida pelo autor — como a neuroterapia e a psicoconstrução — busca uma abordagem integrada, baseada na neuroplasticidade, nos hábitos e no perfil neuroquímico individual, mas também clama por uma reforma cultural profunda, especialmente nos modelos educacionais e nas estruturas sociais que sustentam essa patologia coletiva.

Dessa forma, o “circuito da incoerência” que atravessa a sociedade brasileira atual é, em essência, um reflexo da falência do equilíbrio entre emoção e razão, instinto e cultura, prazer e responsabilidade. O diagnóstico é grave, mas a tomada de consciência já é um primeiro passo para a mudança.

Referência:
ABREU RODRIGUES, Fabiano de. Circuito da Incoerência: A Sociedade Brasileira Sofre de Perturbações das Personalidades Dramáticas. Logos University International, UniLogos, 2021. DOI: 10.38087/2595.8801.100.

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