Início ColunaNeurociências A desigualdade socioeconômica molda o cérebro adolescente: Uma preocupação urgente

A desigualdade socioeconômica molda o cérebro adolescente: Uma preocupação urgente

A pesquisa aponta para um ciclo vicioso: o baixo SES pode levar a menos oportunidades de vivenciar experiências gratificantes, resultando em uma menor sensibilidade à recompensa.

por Redação CPAH

O estudo publicado no Journal of Neuroscience revela uma realidade alarmante: o status socioeconômico (SES) de um adolescente pode influenciar profundamente a forma como seu cérebro responde à recompensa. As descobertas, que demonstram uma sensibilidade reduzida à recompensa em adolescentes de SES mais baixo, tanto no comportamento quanto na ativação do estriado (região cerebral crucial para o processamento da recompensa), são um chamado à ação para educadores, formuladores de políticas e sociedade em geral.

A pesquisa aponta para um ciclo vicioso: o baixo SES pode levar a menos oportunidades de vivenciar experiências gratificantes, resultando em uma menor sensibilidade à recompensa. Essa menor sensibilidade, por sua vez, pode diminuir a motivação para buscar novas experiências positivas, perpetuando o ciclo de desvantagem.

É fundamental destacar que a adolescência é um período crucial para o desenvolvimento cerebral, e a sensibilidade à recompensa desempenha um papel fundamental na formação de comportamentos e na tomada de decisões. A pesquisa sugere que adolescentes de SES mais baixo podem estar em desvantagem nesse processo, com implicações potencialmente duradouras para suas trajetórias de vida.

Embora o estudo não aborde diretamente as causas dessa disparidade, é plausível inferir que fatores como o estresse crônico, a exposição a adversidades e a falta de acesso a recursos e oportunidades podem contribuir para a menor sensibilidade à recompensa observada em adolescentes de SES mais baixo.

As implicações dessas descobertas são profundas. Se queremos construir uma sociedade mais justa e equitativa, é imperativo investir em políticas e programas que visem reduzir as desigualdades socioeconômicas e promover o desenvolvimento saudável de todos os adolescentes, independentemente de sua origem.

É preciso ir além de simplesmente reconhecer a existência do problema. Devemos agir para garantir que todos os adolescentes tenham acesso a oportunidades de aprendizado, desenvolvimento de habilidades e experiências positivas que estimulem a sensibilidade à recompensa e promovam o bem-estar.

Em última análise, o estudo nos lembra que o cérebro adolescente é moldado não apenas pela biologia, mas também pelo ambiente social e econômico em que se desenvolve. Ao abordar as desigualdades socioeconômicas, podemos criar um futuro mais promissor para todos os jovens, independentemente de suas origens.

Fareri, D. S., Chang, C. J., Gee, D. G., & Galván, A. (2023). Behavioral and striatal responses to reward vary by socioeconomic status in adolescence. The Journal of Neuroscience, 44(11), e1633232023.

© Foto de Siora Photography na Unsplash

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