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Traços comportamentais na Inteligência DWRI

DWRI - Developement of Wide Regions of Intellectual Interference (conceito de pessoas com alto QI e cognição altamente desenvolvida)

por Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues

O conceito de Inteligência DWRI (Developement of Wide Regions of Intellectual Interference) propõe uma análise multidimensional da inteligência, transcendendo as métricas convencionais de Quociente de Inteligência (QI). Este modelo não se restringe a uma Inteligência Global (IG), mas considera o QI como um precursor que nutre e desenvolve inteligências específicas, incorporando também as dimensões da personalidade. A DWRI emerge como o resultado de uma cognição racional/lógica altamente desenvolvida, resistente às influências emocionais adversas e/ou impactos de experiências traumáticas ou déficits no neurodesenvolvimento.

Os testes convencionais de QI, que medem habilidades verbais, numéricas, lógicas e espaciais, são insuficientes para definir a DWRI. Este modelo enfatiza que um alto QI, especialmente aqueles no percentil superior a 99, é necessário, mas não suficiente para caracterizar a DWRI. Esta conclusão decorre de uma investigação comportamental abrangente que incluiu indivíduos com percentis superiores a 97. Apesar disso, pessoas com percentis inferiores ainda podem desenvolver aspectos da DWRI, embora em menor amplitude.

A inteligência lógica, por si só, não indica uma cognição bem desenvolvida. A lógica e a cognição, juntamente com outros tipos de inteligência, apresentam variações e nuances. Os testes de QI convencionais, principalmente os de menor custo, podem ser aprimorados através da prática e do uso da cognição para entender a lógica subjacente ao teste.

Este estudo, fundamentado em métodos bibliográficos, entrevistas e análises laboratoriais, é embasado em observações e estudos realizados pelo autor como membro de sociedades de alto QI. A colaboração de psicólogos clínicos, neuropsicólogos e psiquiatras enriqueceu a pesquisa, que se concentrou na observação do comportamento e em entrevistas com indivíduos de alto QI. O objetivo do estudo é introduzir um novo conceito de inteligência, onde um alto QI não necessariamente implica uma inteligência global ou um desenvolvimento cognitivo alinhado. Destaca-se também a importância da neuroplasticidade no aprimoramento cognitivo, independente do nível de QI. 

A curiosidade, a busca pelo conhecimento e a experiência humana são fatores cruciais na formatação da personalidade e no desenvolvimento intelectual. O desenvolvimento cerebral, influenciado por fatores genéticos e imune a perturbações externas e internas, pode moldar diversos tipos de inteligência com base em interesses e experiências, definindo a Inteligência DWRI. Interferências, como transtornos do espectro autista ou lesões cerebrais, podem afetar esse desenvolvimento.

Curiosamente, existem pessoas com alto QI que não se enquadram no perfil DWRI, devido a nuances cognitivas que revelam falhas na personalidade. Esses indivíduos constituem um pequeno percentual da população mundial.

Em síntese, a inteligência DWRI é um conceito inovador que abre novas perspectivas sobre como entendemos a inteligência humana, destacando a importância da interação entre genética, ambiente e experiência de vida na formação da cognição e da personalidade.

Os comportamentos associados a indivíduos com déficits cognitivos ou que não se alinham com o perfil de uma pessoa DWRI, mesmo entre aqueles com alto QI, podem ser caracterizados da seguinte forma:

  • Perseguição nas redes sociais: Engajamento em comportamentos obsessivos ou hostis em plataformas digitais, indicando falta de autoregulação emocional e social.
  • Julgamento preconceituoso: demonstração de tendências a avaliar os outros de maneira crítica e severa, sem consideração por perspectivas alheias ou empatia.
  • Falta de humildade: exibição de arrogância ou superioridade, refletindo uma incapacidade de reconhecer limitações pessoais ou valorizar contribuições alheias.
  • Incapacidade de acesso à memória emocional: dificuldade em conectar-se com as próprias emoções ou compreender experiências emocionais passadas, sugerindo deficiências na inteligência emocional.
  • Desafios profissionais: enfrentamento de obstáculos persistentes no ambiente de trabalho, possivelmente devido a lacunas em habilidades interpessoais, tomada de decisão ou de resolução de problemas.
  • Dificuldades de socialização: problemas em estabelecer e manter relações sociais saudáveis, indicando possíveis deficiências em habilidades sociais e de comunicação.
  • Ausência de reflexão crítica: falta de capacidade para avaliar o próprio comportamento e o dos outros de maneira objetiva e construtiva.
  • Tomada de decisões impulsivas: propensão a tomar decisões sem avaliação adequada das consequências, refletindo um déficit no planejamento e na previsão.
  • Falta de prevenção: inabilidade para antecipar riscos e agir proativamente na mitigação de potenciais problemas.
  • Gestão de risco ineficaz: incapacidade de identificar, avaliar e gerenciar riscos de maneira eficaz.
  • Limitação na criatividade: dificuldade em gerar ideias inovadoras ou soluções criativas no cotidiano e profissionalmente.
  • Planejamento deficiente: inabilidade para estabelecer e seguir planos estruturados, impactando a eficácia pessoal e profissional.
  • Baixa capacidade de adaptação: dificuldades em ajustar-se a mudanças ou contextos variáveis.
  • Incapacidade de mediação de conflitos: dificuldades em resolver disputas de maneira eficaz, indicando falta de competências em negociação e empatia.
  • Expressão emocional limitada: desafios em comunicar sentimentos de maneira clara e eficaz.
  • Dificuldade no manejo da rejeição e frustração: tendência a responder de maneira desproporcional a situações de rejeição ou frustração, evidenciando uma regulação emocional deficiente.
  • Falta de controle da raiva: incapacidade de gerir eficazmente emoções intensas como a raiva a largo prazo, o que pode levar a comportamentos disruptivos ou destrutivos.

Esses comportamentos podem indicar limitações em aspectos críticos da cognição e inteligência emocional, mesmo em indivíduos com alto QI, e não são característicos de pessoas com o perfil DWRI.

Referência:

Agrela, F. de A. (2022). Desenvolvimento de Amplas Regiões de Interferência Intelectual (DWRI). https://doi.org/10.53612/recisatec.v2i12.232.

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