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Transtorno Depressivo Maior em Crianças e Adolescentes: Desafios Diagnósticos e Estratégias Terapêuticas

by Redação CPAH

O Transtorno Depressivo Maior (TDM) configura-se como uma das patologias psiquiátricas mais prevalentes na infância e adolescência. No entanto, a condição frequentemente permanece sem diagnóstico e tratamento adequados devido à variação sintomatológica em relação aos critérios estabelecidos para adultos. Estima-se que as taxas de depressão se elevem progressivamente da infância para a adolescência, atingindo aproximadamente 12,8% da população entre 12 e 17 anos nos Estados Unidos. As consequências da ausência de intervenção são severas, incluindo o comprometimento do desempenho acadêmico, dificuldades interpessoais, risco de abuso de substâncias e, de forma mais crítica, comportamentos suicidas.

A apresentação clínica da depressão pediátrica é marcadamente heterogênea e dependente da faixa etária. Enquanto pré-escolares (3 a 5 anos) podem manifestar desinteresse por brincadeiras e temas autodestrutivos, crianças entre 6 e 12 anos frequentemente apresentam queixas somáticas (como cefaleias e dores abdominais), irritabilidade e anhedonia observada. Já os adolescentes tendem a exibir sintomas mais próximos aos critérios do DSM-5, como alterações no sono, apetite e isolamento social. Diferentemente dos adultos, jovens deprimidos costumam apresentar menos hipersonia e delírios, mas maior irritabilidade e impulsividade.

O manejo terapêutico deve ser estratificado conforme a gravidade do quadro clínico. Para casos de depressão leve a moderada, a primeira linha de tratamento envolve a psicoeducação e psicoterapias, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ou a Terapia Interpessoal (TIP). Em quadros moderados a graves, a farmacoterapia com inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) torna-se necessária. A fluoxetina possui a evidência mais robusta nesta população, sendo aprovada para uso a partir dos 8 anos de idade, enquanto o escitalopram é indicado para jovens acima de 12 anos. O tratamento combinado (medicação e psicoterapia) é frequentemente considerado o padrão-ouro, demonstrando superioridade na velocidade de melhora e custo-benefício em longo prazo.

A segurança no uso de antidepressivos em jovens exige monitoramento rigoroso devido ao risco potencial de ativação comportamental e aumento de ideação suicida, o que motivou a inclusão de avisos de “caixa preta” pela FDA. Contudo, é fundamental ponderar que a depressão não tratada oferece um risco ainda maior de suicídio, que é a segunda principal causa de morte nessa faixa etária. Uma vez atingida a remissão, recomenda-se a manutenção do tratamento por 6 a 12 meses antes de uma redução gradual da dose, visando prevenir recorrências que são comuns nos primeiros anos após o episódio inicial.

Referência (ABNT):

MULLEN, Sandra. Major depressive disorder in children and adolescents. Mental Health Clinician, [s. l.], v. 8, n. 6, p. 275-283, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.9740/mhc.2018.11.275. Acesso em: 02 maio 2026.

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