A neuroinflamação crônica e estéril associada ao envelhecimento, frequentemente denominada neuroinflammaging, constitui um dos principais substratos fisiopatológicos do declínio cognitivo e da suscetibilidade a doenças neurodegenerativas. No hipocampo, essa condição é caracterizada por um estado reativo das microglias, que passam a expressar perfis transcriptômicos pró-inflamatórios, comprometendo a homeostase sináptica e a neurogênese. O estudo em questão investiga o potencial terapêutico da administração intranasal de vesículas extracelulares (EVs) derivadas de células-tronco neurais humanas (hNSCs) como uma estratégia não invasiva para modular essas vias inflamatórias e restaurar o microambiente cerebral em modelos de envelhecimento (MADHU et al., 2026).
A análise de sequenciamento de RNA de célula única (scRNA-seq) revelou que o tratamento com hNSC-EVs é capaz de “restaurar” o transcriptoma das microglias envelhecidas para um estado mais próximo ao observado em indivíduos jovens. Especificamente, as hNSC-EVs demonstraram eficácia na inibição de sinalizações críticas, como o inflamassoma NLRP3 e a via cGAS-STING, ambas fundamentais na propagação da inflamação estéril mediada por danos ao DNA mitocondrial e senescência celular. Além disso, observou-se uma modulação negativa na sinalização de interferon tipo 1 (IFN-1) e nas vias das proteínas quinases ativadas por mitógenos (MAPK), resultando em um perfil celular menos neurotóxico e mais voltado para a manutenção da integridade neuronal (MADHU et al., 2026).
Outro aspecto relevante abordado na pesquisa é a melhora da função mitocondrial e a redução do estresse oxidativo nas células da linhagem mieloide do SNC. As hNSC-EVs parecem atuar como carreadores de miRNAs e proteínas bioativas que intervêm na dinâmica mitocondrial, prevenindo a liberação de padrões moleculares associados a danos (DAMPs) no citosol, o que, por sua vez, impede a ativação em cascata dos inflamassomas. Essa abordagem multimodal, que utiliza a via intranasal para contornar a barreira hematoencefálica, apresenta-se como uma promessa para intervenções clínicas futuras que visem preservar a memória e a função executiva durante o envelhecimento (MADHU et al., 2026).
Conclui-se que a terapia com EVs derivadas de hNSCs não apenas reduz os marcadores clássicos de inflamação, mas promove uma reprogramação funcional da microglia no hipocampo envelhecido. A capacidade de silenciar genes associados à senescência e de fortalecer vias de resiliência celular posiciona essa biotecnologia como uma ferramenta robusta para mitigar os impactos do tempo sobre o sistema nervoso central, oferecendo uma alternativa terapêutica de alta precisão e baixa invasividade (MADHU et al., 2026).
Referência (Formato ABNT):
MADHU, Leelavathi N. et al. Intranasal Human NSC-Derived EVs Therapy Can Restrain Inflammatory Microglial Transcriptome, and NLRP3 and CGAS-STING Signalling, in Aged Hippocampus. Journal of Extracellular Vesicles, [s. l.], v. 15, n. 1, e12668, 2026. Disponível em: Arquivo fornecido pelo usuário.

