O transtorno bipolar (TB), incluindo o seu subtipo mais grave, o transtorno bipolar tipo I (TB-I), representa um fardo econômico substancial nos Estados Unidos. Uma revisão sistemática da literatura, que analisou estudos publicados entre 2008 e 2018, estima que o custo econômico anual total do TB/TB-I nos EUA é superior a US$ 195 bilhões. Deste total, cerca de 25% é atribuído a custos médicos diretos, enquanto 72-80% são custos indiretos.
Os custos indiretos, que respondem pela maior parte do impacto econômico, incluem perdas de produtividade no trabalho, desemprego e gastos com cuidadores. A perda de produtividade devido ao desemprego representa cerca de metade dos custos indiretos anuais. Além disso, a perda de produtividade dos cuidadores e os custos de saúde diretos para eles, somados, constituem mais de um terço do total dos custos indiretos anuais. O transtorno bipolar é uma das principais causas de incapacidade em jovens, e o número de episódios de humor ao longo da vida está associado a uma maior probabilidade de desemprego e incapacidade permanente. Pacientes com transtorno bipolar têm maior probabilidade de faltar ao trabalho, trabalhar menos horas ou serem demitidos em comparação com indivíduos sem transtorno de humor.
No que diz respeito aos custos médicos diretos, indivíduos com TB/TB-I utilizam os serviços de saúde com mais frequência e têm custos significativamente mais altos do que pessoas sem a doença. Um estudo retrospectivo em um plano de saúde comercial revelou que os custos anuais de saúde por pessoa com TB eram cerca de quatro vezes maiores do que os de indivíduos pareados sem transtornos mentais. Os principais fatores que impulsionam esses custos elevados incluem intervenções psiquiátricas frequentes, a presença de comorbidades médicas e psiquiátricas, a baixa adesão à medicação e um gerenciamento clínico inadequado.
Adesão insatisfatória à medicação é um fator comum. Pacientes com menor adesão a antipsicóticos apresentaram custos médicos diretos mais altos, principalmente devido ao uso de serviços de saúde mental ambulatoriais e hospitalares. A não adesão também aumenta os custos indiretos, resultando em menor produtividade no local de trabalho. Além disso, a presença de comorbidades cardiometabólicas (como diabetes, hipertensão e dislipidemia) e psiquiátricas (como transtorno por uso de substâncias e transtorno de ansiedade) contribui substancialmente para o fardo econômico. De fato, um estudo estimou que 67% dos custos diretos de saúde para pacientes com TB foram atribuídos ao tratamento de comorbidades.
Para mitigar esse fardo econômico, é crucial implementar estratégias que melhorem a gestão da doença e a adesão à medicação. Intervenções como programas de saúde integrados, que combinam cuidados primários com especialistas em saúde mental, como psiquiatras e farmacêuticos, têm potencial para otimizar o gerenciamento clínico do TB e suas comorbidades. A melhoria da continuidade do cuidado poderia reduzir a necessidade de intervenções agudas e de emergência, diminuindo assim os custos indiretos e melhorando a qualidade de vida dos pacientes.
Referência:
Bessonova, L., Ogden, K., Doane, M. J., O’Sullivan, A. K., & Tohen, M. (2020). The Economic Burden of Bipolar Disorder in the United States: A Systematic Literature Review. ClinicoEconomics and Outcomes Research, 12, 481-497. https://doi.org/10.2147/CEOR.S259338

