A ansiedade matemática (AM) consolida-se como um construto psicológico complexo, definido por sentimentos de tensão, apreensão e medo que interferem no desempenho e na manipulação de problemas numéricos tanto no cotidiano quanto em ambientes acadêmicos. No contexto da educação básica, esse fenômeno adquire contornos críticos quando manifestado por professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Por atuarem como polivalentes nas disciplinas de alfabetização e letramento numérico inicial, esses docentes desempenham um papel crucial na estruturação das bases cognitivas dos discentes. No entanto, quando o próprio educador vivencia altos níveis de ansiedade frente à matemática, cria-se um ciclo prejudicial capaz de comprometer a qualidade da instrução pedagógica e, potencialmente, transitar essa aversão aos estudantes. A literatura científica contemporânea evidencia que a AM não é um evento isolado, mas uma condição estreitamente associada a variáveis psicossociais, perfis demográficos e indicadores de saúde mental de base, como os transtornos de ansiedade generalizada.
A investigação analítica dos fatores associados à ansiedade matemática revela correlações expressivas entre a sintomatologia fóbica e as características sociobiográficas dos profissionais da educação. Estudos transversais baseados na aplicação de escalas psicométricas validadas — como a Escala de Ansiedade Matemática Reduzida (R-MARS) e o instrumento Generalized Anxiety Disorder-7 (GAD-7) — demonstram que variáveis como a idade do docente e o tempo de exercício na carreira atuam como preditores significativos. Observa-se que professores em início de carreira tendem a manifestar maior vulnerabilidade à AM, possivelmente devido à menor segurança no manejo dos conteúdos ou ao estresse adaptativo do ambiente escolar. Além disso, a presença de sintomas de ansiedade geral desponta como o principal fator comórbido, indicando que indivíduos psicologicamente predispostos a quadros ansiosos globais estruturam respostas autonômicas mais severas diante de tarefas que envolvem processamento lógico-matemático.
Diante desse cenário, a abordagem da ansiedade matemática entre professores deve transcender a esfera do desempenho técnico para ser tratada como uma demanda premente de saúde ocupacional e desenvolvimento profissional continuado. A identificação precoce de docentes afetados, associada ao suporte psicológico e a intervenções andragógicas focadas na desmistificação da matemática, constitui um passo fundamental para romper a transmissão intergeracional desse bloqueio cognitivo. Instituições de ensino superior e redes de ensino fundamental precisam reformular seus currículos de formação de professores, conferindo maior robustez metodológica ao ensino de ciências exatas, ao mesmo tempo em que promovem o letramento emocional. Somente por meio do fortalecimento da saúde mental e da autoeficácia pedagógica dos educadores será possível edificar um ambiente de aprendizagem inclusivo, resiliente e eficaz para o desenvolvimento das competências numéricas das futuras gerações.
Referência (Formato ABNT):
PINHO, Rose Lemos de; FIGUEIREDO, Vera Lúcia Marques de. Factors associated with mathematics anxiety in teachers in the early years of elementary school. Open Minds International Journal, v. 1, n. 1, art. 3, p. 1-12, ago. 2025. ISSN 2675-5157. DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.5157125230073.