O cérebro é o órgão central na resposta ao estresse, pois é ele quem interpreta as experiências como ameaçadoras ou não, e dita as respostas fisiológicas e comportamentais a essas situações. A comunicação entre o cérebro e outros sistemas corporais, como o cardiovascular e o imune, é uma via de mão dupla e ocorre por meio de mecanismos neurais e endócrinos. A resposta ao estresse agudo, como a reação de “luta ou fuga”, é adaptativa e protetora a curto prazo, liberando hormônios que ajudam o corpo a se adaptar (um processo chamado alostase). Contudo, eventos crônicos ou irritantes do dia a dia podem levar a um desgaste progressivo do corpo e do cérebro, um estado conhecido como carga alostática. A carga alostática pode ser resultado de um estresse excessivo ou de uma má regulação da resposta, como quando os hormônios do estresse não são desativados de forma eficiente.
O cérebro é um alvo direto do estresse e dos hormônios relacionados. O hipocampo, por exemplo, uma área cerebral crucial para a memória, foi um dos primeiros a ser identificado como um alvo de glicocorticoides. O estresse e os hormônios do estresse podem ter efeitos adaptativos e desadaptativos no hipocampo ao longo da vida. Pesquisas em modelos animais indicam que experiências na primeira infância, combinadas com fatores genéticos, podem influenciar a forma como o indivíduo responde ao estresse na vida adulta e até mesmo alterar o ritmo de envelhecimento do cérebro e do corpo.
O estresse crônico pode causar remodelação estrutural no hipocampo, na amígdala e no córtex pré-frontal, o que por sua vez altera as respostas comportamentais e fisiológicas. No hipocampo, o estresse crônico pode levar à atrofia de neurônios, enquanto na amígdala, uma área ligada ao medo e à ansiedade, pode causar hipertrofia. Essas mudanças podem comprometer a capacidade de aprendizado, memória e tomada de decisão, ao mesmo tempo em que aumentam a ansiedade e a agressão. Intervenções não farmacológicas, como atividade física regular e apoio social, podem ser eficazes na redução da carga de estresse crônico, beneficiando a saúde e a resiliência do cérebro e do corpo.
Referência:
MCEWEN, B. S. Physiology and Neurobiology of Stress and Adaptation: Central Role of the Brain. Physiological Reviews, v. 87, n. 3, p. 873–904, jul. 2007.

