A violência no namoro entre adolescentes (VNA) constitui um desafio crítico para a saúde pública, com implicações profundas no desenvolvimento psicossocial e na saúde física dos jovens. Tradicionalmente, as estratégias de intervenção têm se concentrado em currículos escolares de curta duração; contudo, a complexidade do fenômeno exige abordagens mais robustas e sistêmicas. De acordo com Niolon et al. (2019), o modelo Dating Matters apresenta-se como uma iniciativa de prevenção abrangente que integra componentes para estudantes, pais, educadores e comunidades ao longo de todo o período do ensino médio (middle school). Através de um ensaio clínico randomizado (RCT) realizado em áreas urbanas de alto risco, demonstrou-se que o Dating Matters é significativamente mais eficaz do que os modelos de “padrão de cuidado” (como o currículo Safe Dates) na redução de comportamentos de agressão e na promoção de dinâmicas relacionais saudáveis entre os jovens.
A estrutura do programa Dating Matters fundamenta-se na premissa de que a prevenção primária deve atuar em múltiplos níveis da ecologia social do adolescente. Enquanto as intervenções padrão frequentemente se limitam ao oitavo ano, este modelo expandido inicia-se no sexto ano e mantém a continuidade pedagógica e o engajamento comunitário. Segundo Niolon et al. (2019), os resultados do estudo indicam uma redução estatisticamente significativa tanto na perpetração quanto na vitimização de violência física e sexual no namoro. Além disso, observou-se uma diminuição nos comportamentos de agressão psicológica e de “cyberbullying”, evidenciando que a exposição prolongada a normas sociais positivas e a capacitação em habilidades de comunicação e resolução de conflitos são determinantes para a mitigação de riscos interpessoais durante a puberdade.
Um diferencial relevante do modelo é o componente de treinamento para pais, que visa fortalecer a supervisão e melhorar a qualidade da comunicação familiar sobre relacionamentos. Conforme discutido por Niolon et al. (2019), a eficácia do programa não se limita à ausência de violência, mas estende-se ao aumento de comportamentos de relacionamento saudáveis, como o estabelecimento de limites e o respeito mútuo. A análise longitudinal sugere que a intervenção atua como um fator protetivo resiliente, cujos benefícios se acumulam à medida que os adolescentes transitam para estágios de maior autonomia social. Em conclusão, a transição de currículos isolados para modelos preventivos abrangentes e baseados em evidências é essencial para interromper a trajetória de violência e garantir que os jovens desenvolvam competências socioemocionais fundamentais para a vida adulta.
Referência (ABNT):
NIOLON, Phyllis Holditch et al. An RCT of Dating Matters: Effects on Teen Dating Violence and Relationship Behaviors. American Journal of Preventive Medicine, v. 57, n. 1, p. 13-23, jul. 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.amepre.2019.02.022.

