A música, fenômeno universal que precede a própria estruturação da linguagem complexa, exerce um papel fundamental na modulação neurobiológica e na organização psíquica do ser humano. A investigação sobre como a personalidade e as capacidades cognitivas superiores influenciam a seleção de estilos musicais tem revelado padrões distintos, especialmente em populações com alto Quociente de Inteligência (QI). Segundo Rodrigues e Wagner (2021), indivíduos situados acima do percentil 98 de inteligência demonstram uma inclinação predominante por gêneros que apresentam complexidade rítmica e estrutural, como o Rock e o Heavy Metal. Essa preferência sugere que a densidade de informações sonoras e a técnica instrumental presente nesses estilos podem atuar como estímulos satisfatórios para sistemas cognitivos que demandam processamento analítico elevado.
A escolha do estilo musical não é um ato meramente estético, mas reflete a necessidade do cérebro de encontrar padrões e complexidades que ressoem com sua arquitetura interna. Rodrigues e Wagner (2021) observam que, enquanto o Rock e suas vertentes dominam as preferências de lazer, existe uma transição funcional na escolha sonora durante atividades que exigem foco intenso. Nestas circunstâncias, a música instrumental clássica — como as composições de Mozart — é amplamente utilizada por indivíduos de alto QI para facilitar a concentração. Esse fenômeno pode ser associado à ausência de componentes linguísticos (letras), que competem pelos mesmos recursos de processamento no lobo temporal, permitindo que a harmonia matemática da música clássica otimize o desempenho em tarefas de raciocínio espacial e lógico.
Além da dimensão puramente acadêmica ou laboral, a música serve como um regulador emocional e identitário para sujeitos com alto desempenho cognitivo. A pesquisa qualitativa aponta que a preferência por estilos como o Heavy Metal em pessoas inteligentes frequentemente está ligada à apreciação da maestria técnica e da sofisticação composicional, desafiando o senso comum que associa o gênero a comportamentos puramente impulsivos. Conforme explicitado por Rodrigues e Wagner (2021), a personalidade desses indivíduos molda um consumo musical criterioso, onde a música não é apenas um plano de fundo, mas um objeto de análise e uma ferramenta de equilíbrio psicossomático. Assim, a taxonomia dos gostos musicais emerge como um biomarcador indireto da complexidade cognitiva, revelando a intrincada relação entre a audição e o intelecto.
Referência (ABNT):
RODRIGUES, Fabiano de Abreu; WAGNER, Roselene Espírito Santo. O estilo musical de pessoas inteligentes. Revista Científica Cognitionis, v. 4, n. 2, p. 1-10, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.38087/2595.8801.107.