A depressão é um transtorno psiquiátrico complexo e multifatorial, cujas causas envolvem uma interação intrincada de elementos genéticos, epigenéticos e ambientais. Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a doença afete cerca de 350 milhões de pessoas. Sintomas heterogêneos de natureza psicológica, cognitiva e emocional caracterizam a depressão, impactando diversas faixas etárias. O diagnóstico da depressão não se baseia em testes objetivos como biópsias ou exames de imagem, mas sim em um conjunto variável de sinais. Por isso, a condição não deve ser vista como uma única doença, mas como uma síndrome heterogênea que engloba várias patologias com diferentes etiologias e fisiopatologias.
Estudos indicam que aproximadamente 40-50% do risco de desenvolver depressão é de origem genética. No entanto, a identificação de genes específicos tem se mostrado desafiadora, pois nenhum gene isolado foi definitivamente associado à doença. A depressão é um fenômeno poligênico, onde múltiplos genes exercem um impacto relativamente pequeno. Fatores genéticos também podem influenciar indiretamente a depressão, afetando a suscetibilidade individual ao estresse e a outros fatores depressivos. No entanto, a falha dos estudos de associação de genoma completo (GWAS) em identificar um locus específico responsável pela predisposição à depressão reforça a ideia de que a doença é um transtorno psiquiátrico multifatorial. A suscetibilidade à depressão parece ser determinada pela ação coordenada de vários genes e suas interações com o ambiente.
A epigenética, um campo de estudo que se concentra em alterações externas do DNA que afetam a função gênica sem modificar a sequência de nucleotídeos, oferece uma nova perspectiva para a compreensão da depressão. Fatores ambientais como estresse, exposição a poluentes, dieta, abuso na infância e eventos traumáticos podem interagir com a carga genética do indivíduo, levando a modificações epigenéticas. Essas mudanças epigenéticas podem ser resumidas em três pontos principais: metilação do DNA, modificação de histonas e regulação por RNA não codificante (ncRNA). Tais modificações podem alterar a expressão gênica, afetando a neuroplasticidade e a resposta comportamental ao estresse, e podem até ser herdadas entre gerações.
O tratamento da depressão pode incluir uma variedade de abordagens. Os sintomas podem ser aliviados com medicamentos e psicoterapia breve, como a terapia interpessoal e a terapia cognitivo-comportamental (TCC). A terapia combinada, que une medicação e psicoterapia, tem sido associada a taxas mais altas de melhora, melhor qualidade de vida e maior adesão ao tratamento. Para pacientes que não respondem bem a medicamentos ou que apresentam risco de suicídio, a terapia eletroconvulsiva (ECT) é uma opção altamente eficaz e com rápido início de ação. A TCC, por exemplo, ajuda os pacientes a identificar e modificar padrões de pensamento e comportamento prejudiciais. Além disso, novas tecnologias de tratamento e agentes moleculares estão sendo constantemente investigados, visando uma abordagem mais eficaz e direcionada para o transtorno.
A compreensão crescente da depressão como um transtorno complexo, influenciado pela interação entre a genética e o ambiente por meio da epigenética, abre caminho para o desenvolvimento de terapias mais eficazes e personalizadas.
Referência:
ALSHAYA, D.S. Genetic and epigenetic factors associated with depression: An updated overview. Saudi Journal of Biological Sciences, [s. l.], v. 29, n. 12, p. 103311, 2022.

