O “Savant que Deu Certo”: Uma Nova Visão da Genialidade Extrema

Vitaly Gariev na Unsplash

Por Fabiano

Acaba de sair um artigo que pode mudar a forma como enxergamos a genialidade profunda e a neurodivergência. Publicado hoje na Open Minds International Journal, o trabalho do neurocientista Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues propõe o conceito de Savantismo Estrutural Compensado (SEC) — uma ideia ousada que inverte a narrativa tradicional sobre o savantismo.

Em vez de ver o savant clássico como um caso de “ilhas de genialidade” em meio a limitações graves, Rodrigues sugere que ele é apenas uma versão descompensada de um mesmo substrato neurobiológico. O SEC seria o “equilíbrio perfeito”: o mesmo hardware potente — hiperfoco obsessivo, memória massiva, sensibilidade sensorial extrema e genética ligada ao espectro autista —, mas pilotado por uma função executiva de elite que transforma rigidez em visão estratégica.

O autor usa metáforas claras: o savant clássico é como um motor de Ferrari sem volante; o indivíduo com SEC tem o mesmo motor, mas com um sistema de navegação que o torna funcional e produtivo. Exemplos práticos ilustram isso: uma criança que analisa redes fúngicas em uma árvore no recreio, ou um adulto que prevê crises corporativas anos antes, não por pessimismo, mas por leitura inevitável de padrões.

Baseado em dados genéticos (PRS, PGS Catalog), testes Wechsler e análises de sociedades de alto QI (Mensa, Triple Nine), o estudo sugere que a superdotação profunda (QI >145) muitas vezes depende dessa base neurodivergente compensada. Não é genialidade “apesar” do autismo, mas “graças” a ele, quando bem regulado.

Essa visão ressoa com quem vive a neurodiversidade de alto funcionamento: a “agonia da incoerência lógica”, a dopamina só em desafios complexos, o isolamento estratégico. É um convite a repensar estigmas e valorizar variações cerebrais como estratégias evolutivas.

O artigo está disponível gratuitamente: (https://openmindsjournal.com/index.php/openminds/pt_BR/article/view/438). Vale a leitura — especialmente para quem sente que pensa “diferente” e quer entender o porquê.

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