Taxa metabólica basal: estudo revela como genes e ambiente moldam o metabolismo animal

Um estudo publicado na CPAH Science Journal of Health desvenda os segredos da Taxa Metabólica Basal (TMB), a energia mínima que os animais precisam para manter funções vitais, como respirar e manter a temperatura corporal. Liderada por Flávio da Silva Nunes, médico veterinário, neuropsicopedagogo e pesquisador em neurodiversidade e comportamento interespecífico pelo Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH), a pesquisa explora como fatores genéticos, hormonais e ambientais influenciam o metabolismo de diferentes espécies. Sem coautores, o trabalho combina genética, neurociência e fisiologia comparada para mostrar como a TMB impacta a saúde animal e a prática veterinária.

Por que este estudo foi feito?

A TMB é como o motor de um carro em ponto morto: indica o consumo de energia necessário para manter o organismo funcionando sem atividade extra. Compreender a TMB é vital para veterinários, pois ajuda a calcular doses de medicamentos, planejar dietas e avaliar a saúde de animais, desde cães até espécies selvagens como tamanduás. Flávio Nunes, que também lidera estudos sobre bem-estar integrativo pet-tutor, quis investigar como genes e o ambiente interagem para definir a TMB, especialmente em animais com metabolismos distintos, como mamíferos, aves e répteis.

Como foi conduzido o estudo?

A pesquisa é uma revisão de literatura, ou seja, uma análise detalhada de estudos anteriores, incluindo trabalhos clássicos e recentes sobre genômica e fisiologia. O autor examinou artigos científicos que exploram genes como UCP2, PPARGC1A, MC4R e FTO, que regulam o metabolismo, além de fatores como dieta, habitat e ritmos circadianos. A abordagem incluiu conceitos de neurociência, como o papel do hipotálamo no controle da energia, e extrapolação alométrica, uma técnica que usa o tamanho corporal para estimar a TMB em diferentes espécies.

O que foi descoberto?

O estudo mostra que a TMB não é um número fixo, mas uma interação complexa de genes, hormonas e ambiente. Entre os principais achados estão:

  • Genes e metabolismo: Genes como UCP2 e PPARGC1A controlam a produção de energia nas células, especialmente nas mitocôndrias, as “usinas” do corpo. Em mamíferos, como cães, esses genes ajudam a manter a temperatura corporal. Já em répteis, que dependem do ambiente para se aquecer, a TMB é mais baixa e varia com a temperatura.
  • Hormonas no comando: Hormonas como a leptina, que sinaliza saciedade, e a grelina, que estimula a fome, regulam o apetite e o gasto energético. Hormonas da tiroide, como T3 e T4, aceleram ou desaceleram o metabolismo, afetando diretamente a TMB.
  • Diferenças entre espécies: Aves, como pardais, têm TMB mais alta que répteis ou peixes devido à necessidade de manter a temperatura corporal. Por exemplo, a fórmula TMB = 129 × massa corporal^0,74 aplica-se a aves passeriformes, enquanto répteis usam TMB = 10 × massa corporal^0,8.
  • Aplicações práticas: Na veterinária, a TMB ajuda a calcular doses de medicamentos para animais selvagens. Por exemplo, a dose de um antibiótico para um tamanduá-bandeira pode ser estimada com base na TMB de um cão, ajustada pelo tamanho e metabolismo.

Do ponto de vista neurocientífico, o hipotálamo, uma região do cérebro, atua como um “maestro” que integra sinais de energia, como níveis de gordura, para ajustar a TMB. Já a genômica revela que variações nos genes explicam por que alguns animais, como os que vivem em climas frios, têm metabolismos mais rápidos para gerar calor.

Resultados e impacto

A pesquisa destaca que entender a TMB é essencial para melhorar o cuidado com animais, especialmente em medicina veterinária e conservação. Veterinários podem usar a TMB para:

  • Ajustar doses de medicamentos: Doses baseadas na TMB, e não só no peso, são mais precisas, reduzindo riscos de toxicidade em espécies selvagens.
  • Planejar dietas: Animais com TMB alta, como aves, precisam de mais calorias, enquanto répteis precisam de menos.
  • Proteger espécies ameaçadas: A TMB pode indicar o impacto de mudanças climáticas, ajudando a criar planos de manejo para populações selvagens.

Para o público leigo, pense na TMB como o “consumo mínimo” do corpo de um animal. Assim como um carro gasta mais combustível em alta velocidade, um animal com TMB alta, como uma ave, “queima” mais energia mesmo em repouso. Genes e hormonas são como os controles desse motor, enquanto o ambiente, como o clima, ajusta a velocidade.

Qual o próximo passo?

O estudo sugere que novas tecnologias, como inteligência artificial, podem melhorar as estimativas de TMB, especialmente para espécies pouco estudadas. Além disso, técnicas menos invasivas, como marcadores bioquímicos, podem substituir a calorimetria indireta, que é difícil de aplicar em animais selvagens. A colaboração entre geneticistas, veterinários e ecologistas será chave para avançar o cuidado animal.

Publicado na CPAH Science Journal of Health em fevereiro de 2025, este trabalho mostra que a TMB é mais que um número: é uma janela para entender a biologia animal e proteger a saúde de espécies em um mundo em mudança.

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