A compreensão da patogênese dos aneurismas evoluiu significativamente com a identificação de uma base genética compartilhada entre diferentes leitos vasculares. Evidências clínicas e moleculares indicam uma sobreposição genética substancial entre o Aneurisma da Aorta Torácica (AAT) e o Aneurisma Intracraniano (AI), sugerindo que ambas as condições podem ser manifestações de uma arteriopatia sistêmica subjacente. Estudos de associação genômica ampla (GWAS) e sequenciamento de exoma identificaram variantes em genes responsáveis pela integridade da matriz extracelular e pela sinalização do fator de crescimento transformador beta (TGF-β), que desempenham papéis críticos na homeostase da parede arterial tanto na circulação sistêmica quanto na cerebral (CHANGEZ et al., 2025).
A arquitetura molecular dessa vulnerabilidade vascular envolve genes como TGFBR1, TGFBR2, SMAD3 e ACTA2. Mutações no gene ACTA2, que codifica a actina alfa do músculo liso, são classicamente associadas ao AAT hereditário, mas também foram detectadas em pacientes com AI, evidenciando que defeitos na contratilidade das células musculares lisas vasculares comprometem a estabilidade estrutural de múltiplos vasos. Além disso, a via de sinalização do TGF-β regula a proliferação celular e a síntese de colágeno; desregulações nessa via resultam em enfraquecimento da túnica média, predispondo à formação de ectasias e aneurismas. Essa conexão genética explica por que pacientes diagnosticados com AAT apresentam uma prevalência significativamente maior de AI em comparação à população geral, justificando a necessidade de protocolos de triagem vascular integrada (CHANGEZ et al., 2025).
A identificação dessa sobreposição genética possui implicações clínicas profundas, permitindo uma transição para modelos de medicina de precisão. O reconhecimento de que o AI e o AAT podem compartilhar uma etiologia comum — como observado em síndromes como Marfan e Loeys-Dietz, mas também em formas não sindrômicas — orienta o aconselhamento genético e a estratificação de risco familiar. A detecção precoce de variantes patogênicas em um paciente com aneurisma em um sítio pode levar à monitorização vigilante de outros territórios vasculares, prevenindo eventos catastróficos como rupturas e dissecções. Portanto, a abordagem do aneurisma deve deixar de ser vista como uma patologia localizada para ser compreendida como uma desordem genética sistêmica da biologia vascular (CHANGEZ et al., 2025).
Referência (ABNT):
CHANGEZ, M. I. K. et al. Genetic Overlap of Thoracic Aortic Aneurysms and Intracranial Aneurysms. Genes, v. 16, n. 2, p. 154, 26 jan. 2025. DOI: 10.3390/genes16020154.

