O Reconhecimento Urgente e o Manejo Terapêutico do Transtorno Depressivo Maior em Adolescentes

A fase da adolescência é reconhecida como um período de significância psicológica primordial, atuando como uma janela crítica que impacta consideravelmente a trajetória de vida de um indivíduo. É durante esta etapa que os jovens se tornam particularmente suscetíveis a enfrentar estresses e pressões, resultando na emergência de diversos transtornos mentais, sendo o Transtorno Depressivo Maior (TDM) um dos mais comuns. A gravidade deste quadro é inegável: estatísticas indicam que até 8% dos adolescentes diagnosticados com TDM completam suicídio na idade adulta jovem, solidificando o suicídio como a segunda principal causa de morte entre adolescentes de 12 a 17 anos. O TDM, portanto, impõe consequências e impactos com risco de vida se não for diagnosticado e gerenciado de forma eficaz.

Diagnóstico, Fatores Causais e Abordagens Iniciais

O diagnóstico de TDM, segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª Edição (DSM-5), exige que um indivíduo apresente cinco dos sintomas listados, que devem incluir obrigatoriamente humor persistentemente deprimido ou falta de interesse/prazer, culminando em prejuízo social ou ocupacional. Os sintomas englobam também sentimentos de inutilidade ou culpa, fadiga, ideação suicida e distúrbios do sono.

Os fatores que contribuem para o TDM na adolescência são multifatoriais, abrangendo desde baixo desempenho escolar e pressões parentais até traumas físicos ou emocionais e desafios interpessoais na vida posterior.

Inicialmente, as diretrizes de manejo recomendam que os médicos da atenção primária eduquem pacientes e famílias sobre a depressão e estabeleçam um plano de tratamento com objetivos claros para o funcionamento escolar, doméstico e social, como manter conquistas acadêmicas ou participar de refeições familiares. Um plano de segurança que restrinja o uso de meios letais e forneça contato de emergência para pensamentos suicidas é essencial. Contudo, devido à intensidade dos sintomas, como a perda de interesse em atividades cotidianas, estas ações preventivas por si só são insuficientes para erradicar o impacto do transtorno, tornando necessárias intervenções terapêuticas específicas.

Eficácia Comprovada das Psicoterapias

O manejo efetivo do TDM na adolescência exige uma abordagem multimodal, que tipicamente inclui psicoeducação, intervenções no estilo de vida, psicoterapia e, em alguns casos, medicação. As principais abordagens psicológicas atuais são a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a Terapia Interpessoal (TIP) e a Terapia Familiar (TF).

1. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

A TCC é amplamente considerada um método bem estabelecido e eficaz no tratamento do TDM em adolescentes, em comparação com várias condições ativas e de controle, tanto em formato individual quanto em grupo. A TCC atua na alteração de padrões de pensamento (cognitivos) e comportamentais desadaptativos.

Estratégias centrais envolvem o uso da capacidade de resolução de problemas para superar circunstâncias desafiadoras e o fortalecimento da autoconfiança.

A eficácia da TCC foi demonstrada em um estudo de 1997, onde apenas 17,1% dos adolescentes no grupo TCC continuaram a apresentar sintomas depressivos ao final do tratamento, em contraste com 32,3% na Terapia Familiar e 42,4% na terapia de suporte não diretiva (NDST).

Dada a alta taxa de recorrência do TDM na adolescência (aproximadamente 46,6% dentro de 63 meses após a recuperação ), a TCC é fundamental para reduzir a probabilidade de recaída.

2. Terapia Interpessoal (TIP)

A TIP é outro método eficiente e bem estabelecido, focado em melhorar as relações interpessoais e o funcionamento social dos pacientes. A TIP adaptada para adolescentes (TIP-A) concentra-se em problemas comuns desta faixa etária, como conflitos parentais e pressões dos pares.

Em um estudo de TIP-A do final dos anos 1990, 75% dos adolescentes com TIP se recuperaram da depressão, comparado a 46% no grupo controle.

Estudos posteriores não encontraram diferenças significativas na eficácia entre TIP e TCC.

3. Terapia Familiar (TF)

A TF concentra-se em melhorar as interações e os relacionamentos entre os membros da família. Embora as questões de funcionamento familiar sejam frequentemente problemáticas para adolescentes com TDM , a evidência da eficácia da TF sozinha ainda carece de revisões sistemáticas suficientes até 2023. Contudo, revisões recentes sugerem que a TF, quando comparada a outros métodos, não apresenta variação significativa ou diferença nos resultados. É notável, porém, que a TF demonstrou um efeito maior no tratamento de adolescentes com ideação suicida.

O Déficit na Prevenção

Embora existam métodos de tratamento ativos e eficazes, a necessidade de intervenções preventivas válidas é urgente. A prevenção é classificada em três tipos com base no público-alvo:

Universal: Foca na comunidade em geral (exemplo: cursos sobre riscos do abuso de substâncias para estudantes do ensino médio ).

Seletiva: Visa indivíduos em grande risco de desenvolver o transtorno.

Indicada: Concentra-se em pessoas que já demonstram sintomas subclínicos do transtorno.

Programas como o Problem Solving for Life (PSFL – universal) e o Penn-Resiliency Program (PRP – seletivo) demonstraram a capacidade de reduzir sintomas de TDM em adolescentes. No entanto, a eficácia desses programas tende a diminuir a longo prazo , e nem todos demonstram a função de prevenir a emergência do transtorno em primeiro lugar. Dado que o número de adolescentes que sofrem de TDM continua a aumentar globalmente , a escassez de programas preventivos eficazes é evidente.

A inação ou a suposição de que o desconforto psicológico seja “normal” para jovens adultos pode ter um impacto negativo que se estende além da adolescência. É imperativo que a seriedade do TDM na adolescência seja plenamente reconhecida, e que diretrizes adequadas de diagnóstico e tratamento sejam implementadas na prática para combater a crescente prevalência global.

Referência:

WANG, Yiting. Understanding and Treating Major Depressive Disorders among Adolescents. Proceedings of 3rd International Conference on Interdisciplinary Humanities and Communication Studies, v. 50, p. 66-71, 2024.

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