Início OpiniãoO Papel da Resiliência nos Efeitos do Sequestro na Saúde Mental de Refugiados

O Papel da Resiliência nos Efeitos do Sequestro na Saúde Mental de Refugiados

por Redação CPAH

O estudo investigou os efeitos psicológicos do sequestro em uma coorte de refugiados iraquianos. Embora o sequestro seja um trauma comum em países em guerra, suas consequências na saúde mental são pouco pesquisadas. O estudo acompanhou 298 refugiados iraquianos que se mudaram para os EUA, avaliando-os na chegada e um ano depois.

Dos participantes, 26 (9%) relataram ter sido sequestrados. Comparados aos não sequestrados, os que foram vítimas de sequestro apresentaram uma prevalência maior de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). No entanto, não houve diferença significativa na prevalência de Transtorno Depressivo Maior (TDM) entre os dois grupos. A pesquisa demonstra que o sequestro está associado ao TEPT, mas não ao TDM, em refugiados.

Um dos principais achados do estudo foi a relação entre resiliência e saúde mental após o sequestro. Os refugiados sequestrados que não desenvolveram TEPT apresentaram escores de resiliência significativamente mais altos do que aqueles que foram diagnosticados com o transtorno. A resiliência, definida como a capacidade de se adaptar positivamente e “se recuperar” de experiências traumáticas, atua como um fator protetor contra os distúrbios psicológicos em vítimas de sequestro.

O estudo também explorou as narrativas dos sequestros e identificou algumas tendências importantes. Muitos dos sequestrados relataram ter sido agredidos, torturados, ou maltratados fisicamente. Mais de um terço das vítimas (38%) foram sequestradas por motivos religiosos ou por atividades relacionadas à religião. Em contraste, apenas 14% das vítimas que desenvolveram TEPT foram sequestradas por motivos religiosos. Isso sugere que sofrer por uma causa ou crença pode ser um fator protetor contra problemas de saúde mental, e o apoio da comunidade religiosa pode servir como um amortecedor. Além disso, as duas únicas mulheres com TEPT e TDM foram vítimas de agressão sexual durante o cativeiro, o que destaca o impacto adicional de estigmas culturais e a amplificação do sentimento de culpa e vergonha.

Referência:

WRIGHT, A. M. et al. Kidnapping and Mental Health in Iraqi Refugees: The Role of Resilience. Journal of Immigrant and Minority Health, v. 19, n. 1, p. 98–107, fev. 2017.

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