Início OpiniãoO Impacto Psicológico do Sequestro em Vítimas e Suas Famílias

O Impacto Psicológico do Sequestro em Vítimas e Suas Famílias

por Redação CPAH

Um estudo investigou os efeitos psicológicos do sequestro extorsivo econômico (EEK) em 55 vítimas libertadas e em 158 membros de suas famílias. O estudo avaliou o sofrimento psicológico e o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) em diferentes momentos: durante o cativeiro e em intervalos de 2 a 4 meses, 5 a 8 meses e 9 a 15 meses após a libertação. Os resultados mostraram que o período de cativeiro foi o mais estressante, com as pontuações mais altas de TEPT e de angústia geral para os membros da família.

A pesquisa também levantou a hipótese de que o sequestro seria tão traumático para as famílias quanto para as vítimas diretas. Essa suposição foi confirmada, já que não foram encontradas diferenças significativas no nível de sofrimento psicológico ou de TEPT entre as vítimas diretas e seus familiares após a libertação. Para os familiares, o cativeiro foi descrito como uma “prisão virtual”, na qual a constante ameaça dos captores gerava uma sensação de impotência e falta de controle.

O estudo analisou ainda a relação entre o funcionamento familiar, os mecanismos de enfrentamento (coping) e a adaptação psicológica. Durante o cativeiro, as famílias que estabeleceram regras e padrões claros de comportamento e mantiveram a estrutura familiar conseguiram prover aos seus membros uma sensação de controle em meio às circunstâncias caóticas. No entanto, os mecanismos de enfrentamento não tiveram uma correlação com a adaptação psicológica, pois a natureza incontrolável do sequestro tornava as estratégias de enfrentamento ineficazes. Após a libertação, a família continuou sendo uma fonte crucial de apoio. Os resultados sugerem que um bom funcionamento familiar, com comunicação aberta e envolvimento afetivo, estava associado a um menor risco de TEPT e angústia psicológica. Em contraste, o uso de estratégias de evitação (passive appraisal) por parte das famílias, após a libertação, foi associado a um maior sofrimento psicológico.

O estudo conclui que o impacto do sequestro afeta não apenas as vítimas, mas também suas famílias, e que fatores pessoais, familiares e o contexto social são cruciais na adaptação após o evento. O sequestro mina a confiança das famílias no ambiente externo, fazendo com que a família se torne a única fonte confiável de apoio.

Referência:

NAVIA, C. E.; OSSA, M. Family Functioning, Coping, and Psychological Adjustment in Victims and Their Families Following Kidnapping. Journal of Traumatic Stress, v. 16, n. 1, p. 107–112, fev. 2003.

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