O sequestro e a ação de bandidos se tornaram um problema generalizado no norte da Nigéria, perturbando a vida de comunidades vulneráveis, incluindo estudantes universitárias, especialmente no estado de Zamfara. Embora pesquisas anteriores tenham se concentrado nos aspectos econômicos e de segurança, há uma lacuna na compreensão dos impactos pessoais e acadêmicos nas vítimas. Um estudo recente buscou preencher essa lacuna investigando os efeitos psicológicos, os desafios de reintegração social e as dificuldades acadêmicas enfrentadas por estudantes universitárias que foram vítimas de sequestro e banditismo.
Os resultados da pesquisa, baseada em entrevistas com sete estudantes universitárias da Universidade Federal de Gusau, revelaram traumas psicológicos profundos e complexos. As participantes relataram sintomas de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), ansiedade intensa, pesadelos recorrentes e depressão. O trauma inicial do sequestro pode desencadear medo e desorientação, enquanto a longa duração do cativeiro e as ameaças de violência, incluindo a violência de gênero, exacerbam os efeitos psicológicos, podendo levar a transtornos como TEPT e depressão.
Além dos desafios psicológicos, as vítimas enfrentam barreiras significativas na reintegração social e acadêmica. A reintegração social é complexa, com as vítimas frequentemente sentindo-se estigmatizadas e alienadas por suas comunidades e colegas. Algumas participantes relataram sentir que eram vistas como “danificadas”, o que as levava a considerar a transferência para outras universidades para escapar do estigma e da falta de compreensão. Academicamente, o trauma resultou em dificuldades de concentração, problemas de memória e diminuição da motivação, impactando negativamente o desempenho escolar. A falta de apoio institucional e a pressão para acompanhar os estudos agravam ainda mais a situação.
Para apoiar a recuperação dessas estudantes, são necessárias intervenções abrangentes. As participantes identificaram a necessidade de programas de apoio psicológico, como aconselhamento profissional e grupos de apoio com colegas que passaram por experiências semelhantes, para ajudá-las a lidar com o trauma e facilitar sua reintegração. Além disso, a pesquisa sugere que as instituições de ensino devem implementar acomodações acadêmicas, como horários de estudo flexíveis e tempo extra para trabalhos e exames. A criação de um ambiente seguro e de apoio, livre de estigma, é crucial para a recuperação e o sucesso acadêmico das vítimas. O estudo destaca que as universidades, em colaboração com os órgãos governamentais, têm um papel fundamental na oferta desses serviços para mitigar os impactos negativos do sequestro.
Referência:
ISMA’IL, Akilu; IBRAHIM, Halimat Bashir. Psychological Impact Of Kidnapping On Social Reintegration And Academic Pursuits Of Female Undergraduates In Zamfara State. Academic Journal of Psychology and Counseling, v. 6, n. 1, p. 29-58, 2024.