O Gaslighting na Academia de Enfermagem: Uma Forma Subtil e Destrutiva de Bullying

O bullying no ambiente de trabalho da enfermagem é um fenômeno amplamente conhecido. No entanto, uma forma particularmente insidiosa e velada desse comportamento, o gaslighting, tem ganhado notoriedade anedoticamente na academia de enfermagem. O gaslighting é uma manipulação emocional que visa “destruir” a capacidade de um indivíduo pensar de forma independente, levando a um estado de dissonância cognitiva, no qual a vítima tem sua realidade reescrita pela do agressor.

A dificuldade em identificar o gaslighting se deve à sua natureza sutil e secreta, o que torna as ferramentas tradicionais de combate ao bullying ineficazes. O gaslighter utiliza táticas como mentiras e meias-verdades, reclamações frívolas, elogios e reforços positivos para criar confusão e caos na vítima. Ao contrário de formas mais diretas de bullying, o gaslighting muitas vezes não chama a atenção para o agressor, pois pode ser disfarçado como “conselho” ou “orientação”.

O processo de gaslighting geralmente segue três etapas:

Idealização: O relacionamento começa com calma e elogios, e o gaslighting é sutil, insidioso e prejudicial. O agressor pode fazer comentários arbitrários e triviais, mas que causam um sentimento de descrença na vítima. Isso leva a comportamentos de busca de aprovação por parte da vítima, tornando-a complacente.

Desvalorização: A manipulação se intensifica, com críticas e acusações infundadas se tornando frequentes. A vítima fica na defensiva, questionando-se constantemente e fazendo de tudo para agradar o gaslighter.

Descarte: A vítima cede à visão negativa do agressor e se torna uma “colaboradora voluntária”. A incerteza, o medo, a inutilidade e o desamparo se tornam a norma, levando a consequências psicológicas graves como depressão, ansiedade, vícios e até ideação suicida.

O artigo destaca que o gaslighting na enfermagem acadêmica pode se manifestar de diversas formas, como a atribuição de cargas de trabalho desiguais, avaliações de desempenho injustas e a negação de oportunidades de desenvolvimento profissional. O agressor geralmente ataca aqueles que representam uma ameaça, como acadêmicos promissores. A vítima, por sua vez, muitas vezes reluta em denunciar por medo de retaliação ou de não ser acreditada.

Para combater o gaslighting, é crucial aumentar a conscientização sobre esse tipo de comportamento, pois os métodos de avaliação de bullying existentes não são sensíveis o suficiente para detectá-lo. O artigo sugere que é necessário que a academia de enfermagem promova mais pesquisas sobre a incidência do gaslighting e revise as políticas para incluir comportamentos específicos desse tipo de manipulação. É fundamental que as vítimas busquem apoio, documentem as interações com o agressor e, se possível, evitem encontros sozinhos para proteger seu bem-estar pessoal e profissional.

Referência:

CHRISTENSEN, Martin; EVANS-MURRAY, Anne. Gaslighting in nursing academia: A new or established covert form of bullying?. Nursing Forum, p. 1-8, 2021.

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