Crianças superdotadas se destacam por um desenvolvimento cognitivo que avança em ritmo muito mais acelerado do que o desenvolvimento emocional. Essa assincronia, uma característica central da superdotação, pode dificultar a adaptação em ambientes com pares e causar um senso de inadequação, levando à ansiedade social e à formação de um autoconceito distorcido.
Apesar de não serem um grupo homogêneo, essas crianças podem apresentar traços como criatividade, liderança, persistência e um forte senso de controle interno. No entanto, a necessidade de se sentirem aceitas e “normais” muitas vezes as leva a adotar atitudes que prejudicam seu desenvolvimento. A pressão social, tanto de pais quanto de colegas, as leva a ver sua própria singularidade mais como um obstáculo do que como um incentivo para o crescimento pessoal.
A resposta a essa pressão se manifesta de duas formas principais:
Arrogância: Algumas crianças exibem uma atitude condescendente para com seus pares, uma forma de compensar a superioridade cognitiva que sentem. Elas buscam incessantemente a validação de suas habilidades, não por confiança, mas por uma necessidade extrínseca de recompensa.
Conformidade: Outras optam por esconder suas habilidades e talentos, submetendo-se às expectativas dos outros e renunciando aos seus próprios interesses para se sentirem aceitas. Essa atitude é considerada ainda mais perigosa, pois pode ser facilmente ignorada por pais e educadores, resultando em subaproveitamento e perda da identidade pessoal a longo prazo.
O papel dos sistemas de apoio (família, escola e amigos) é crucial nesse processo. A pressão emocional dos pais por desempenho acadêmico pode levar a um perfeccionismo insustentável e a uma identidade centrada no sucesso. Quando a dificuldade aumenta, o medo de falhar se torna um obstáculo intransponível, podendo resultar em ansiedade e sintomas depressivos.
É essencial que os pais ofereçam apoio emocional incondicional e que a escola estabeleça demandas acadêmicas apropriadas ao nível cognitivo das crianças. A separação clara desses papéis pode ajudar a criança a construir um autoconceito baseado em seus próprios interesses e na satisfação pessoal, e não no desempenho ou na aprovação dos outros. Somente assim, crianças superdotadas poderão desenvolver resiliência, lidar com o fracasso e alcançar seu potencial máximo sem o medo de serem rejeitadas.
Referência:
PAPANDREOU, A.; ATHINAIOU, E.; MAVROGALOU, A. Conforming and Condescending Attitude of Gifted Children in Response to their Social Anxiety and Asynchronous Cognitive and Emotional Development. Biomedical Journal of Scientific & Technical Research, v. 50, n. 2, p. 41539–41544, 2023.