A genômica do estilo de vida emerge como uma ciência fundamental na compreensão das interações entre variações genéticas, comportamentos individuais e desfechos de saúde. O estudo clínico randomizado NOW (Nutrigenomics, Overweight/Obesity and Weight Management) investigou se o fornecimento de informações genéticas acionáveis poderia motivar pacientes de cuidados primários a engajarem-se em níveis superiores de atividade física em comparação com intervenções baseadas em diretrizes populacionais padrão. Os resultados indicaram que o grupo que recebeu aconselhamento personalizado (GLB + LGx) apresentou um gasto energético em atividade física de lazer significativamente maior aos seis meses de acompanhamento (1.114,7 METs/semana) em comparação ao grupo de controle (621,6 METs/semana).
A eficácia dessa abordagem fundamenta-se na utilização de polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs) específicos que influenciam tanto a predisposição atlética quanto a resposta ao manejo de peso. Variantes no gene FTO (rs9939609), por exemplo, estão associadas ao risco de obesidade, mas seus efeitos podem ser atenuados pelo aumento da atividade física. No protocolo do estudo, participantes com genótipo AA para o gene FTO receberam metas de atividade física mais elevadas (180-360 min/semana) para otimizar a perda de peso, enquanto outros foram informados sobre suas predisposições genéticas para excelência em atividades de força (ACTN3) ou resistência (ADRB3, NRF2, GSTP1, NFIA-AS2). Essa personalização visa impactar componentes da Teoria do Comportamento Planejado, como o controle comportamental percebido e as atitudes em relação ao exercício.
Embora o aumento no gasto energético tenha sido evidente no médio prazo, o estudo não observou a manutenção desses níveis superiores no curto (3 meses) ou no longo prazo (12 meses). Tal fenômeno sugere que, embora a genômica do estilo de vida possua um potencial clínico relevante para motivar mudanças iniciais, o suporte contínuo e o foco em atividades de moderada a alta intensidade são essenciais para a sustentabilidade dos benefícios. A integração de dados genéticos em programas de gerenciamento de peso representa, portanto, uma estratégia inovadora para personalizar o cuidado e melhorar a saúde metabólica através de intervenções comportamentais mais precisas.
Referência (ABNT):
HORNE, Justine R. et al. Can a Lifestyle Genomics Intervention Motivate Patients to Engage in Greater Physical Activity than a Population-Based Intervention? Results from the NOW Randomized Controlled Trial. Lifestyle Genomics, v. 13, n. 6, p. 180-186, 2020. DOI: 10.1159/000510216.

