Home OpiniãoEscores de Risco Poligênico na Cardiologia: Uma Nova Fronteira para a Medicina de Precisão

Escores de Risco Poligênico na Cardiologia: Uma Nova Fronteira para a Medicina de Precisão

by Redação CPAH

A estratificação de risco para doenças cardiovasculares (DCV) tem se baseado, tradicionalmente, em fatores clínicos e metabólicos consolidados, como níveis lipídicos, pressão arterial e tabagismo. No entanto, a precisão desses modelos permanece limitada para uma parcela significativa da população. De acordo com a Declaração Científica da American Heart Association, os Escores de Risco Poligênico (PRS) emergem como uma ferramenta transformadora, permitindo quantificar a carga genética herdada ao agregar o efeito cumulativo de milhões de polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs) distribuídos pelo genoma. Diferente de mutações monogênicas raras, os PRS capturam a variação genética comum, oferecendo uma estimativa de risco que pode ser calculada precocemente na vida, muito antes da manifestação de fatores de risco clínicos (O’SULLIVAN et al., 2022).

A utilidade clínica dos PRS é particularmente relevante na identificação de indivíduos com risco elevado, mas que apresentam perfis de risco tradicionais aparentemente baixos ou intermediários. Estudos demonstram que indivíduos nos percentis superiores de PRS para doença arterial coronariana (DAC) possuem um risco cardiovascular comparável àqueles com hipercolesterolemia familiar, uma condição monogênica de alto risco. Além da DAC, os PRS têm mostrado aplicabilidade em condições como fibrilação atrial, diabetes tipo 2 e hipertensão, auxiliando na reclassificação do risco e potencialmente antecipando intervenções preventivas, como o início de terapias com estatinas ou modificações intensivas no estilo de vida (O’SULLIVAN et al., 2022).

Entretanto, a implementação dos PRS na prática clínica enfrenta desafios críticos que não podem ser ignorados. Um dos principais obstáculos é a falta de diversidade nas coortes de estudo, que são predominantemente compostas por indivíduos de ascendência europeia, o que pode exacerbar disparidades em saúde ao oferecer menor precisão preditiva para populações não europeias. Além disso, a integração dos PRS com os escores de risco clínico existentes requer a padronização de métodos de cálculo e uma comunicação clara para médicos e pacientes. Para que os PRS cumpram seu potencial na medicina de precisão, é imperativo que o desenvolvimento de modelos futuros priorize a equidade populacional e a validação em cenários de prática real (O’SULLIVAN et al., 2022).

Referência (ABNT):

O’SULLIVAN, J. W. et al. Polygenic Risk Scores for Cardiovascular Disease: A Scientific Statement From the American Heart Association. Circulation, v. 146, n. 8, p. e93-e118, 23 ago. 2022. DOI: 10.1161/CIR.0000000000001077.

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