Home OpiniãoEpigenética e Neuroplasticidade: O Impacto da Atividade Física na Programação Cerebral

Epigenética e Neuroplasticidade: O Impacto da Atividade Física na Programação Cerebral

by Redação CPAH

A compreensão moderna da neurobiologia transcende a visão estática do genoma, concentrando-se atualmente na plasticidade do epigenoma. O exercício físico tem se consolidado como um potente modulador da função cerebral, capaz de induzir modificações epigenéticas que reprogramam a expressão gênica em regiões críticas, como o hipocampo. Esses mecanismos incluem a metilação do DNA, modificações de histonas e a regulação por RNAs não codificantes, que, em conjunto, promovem a neurogênese, a sinaptogênese e o aumento da resiliência cognitiva ao longo de diferentes estágios da vida (KUKLA-BARTOSZEK; GŁOMBIK, 2024).

A nível molecular, a prática regular de atividade física está intrinsecamente ligada à regulação positiva de fatores neurotróficos, notadamente o Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF). O exercício induz o remodelamento da cromatina, facilitando o acesso da maquinaria de transcrição ao promotor do gene Bdnf, o que resulta em melhorias na memória de longo prazo e na plasticidade sináptica. Além disso, a atividade física atua como um agente anti-inflamatório no sistema nervoso central, reduzindo a expressão de citocinas pró-inflamatórias e modulando a ativação microglial através de mecanismos epigenéticos, o que é fundamental para a prevenção e tratamento coadjuvante de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer e o Parkinson (KUKLA-BARTOSZEK; GŁOMBIK, 2024).

É importante destacar que os benefícios da “reprogramação” cerebral variam conforme a fase do desenvolvimento. Enquanto o exercício durante a juventude é crucial para o estabelecimento de conexões neurais robustas e desenvolvimento cognitivo, em idosos, o foco recai sobre a mitigação do declínio cognitivo e a preservação do volume hipocampal. A evidência científica sugere que o cérebro possui uma capacidade notável de armazenar os efeitos positivos do exercício sob a forma de “marcas” epigenéticas estáveis, proporcionando uma reserva cognitiva que protege o indivíduo contra o envelhecimento patológico. Portanto, a prescrição de exercícios físicos deve ser vista não apenas como uma intervenção metabólica, mas como uma estratégia neuroepigenética de precisão para a saúde mental (KUKLA-BARTOSZEK; GŁOMBIK, 2024).

Referência (ABNT):

KUKLA-BARTOSZEK, Magdalena; GŁOMBIK, Katarzyna. Train and Reprogram Your Brain: Effects of Physical Exercise at Different Stages of Life on Brain Functions Saved in Epigenetic Modifications. International Journal of Molecular Sciences, v. 25, n. 22, p. 12043, 9 nov. 2024. DOI: 10.3390/ijms252212043.

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